Eduardo Aguiar · Brasil · @zelig.digital
Li num voo, durante a pandemia de Covid-19, o que tornou a leitura especialmente interessante. É difícil não traçar paralelos com o que estávamos vivendo. Oswaldo Cruz foi duramente atacado pela imprensa durante as campanhas sanitárias, inclusive com argumentos que se apresentavam como científicos e positivistas. A resistência às medidas de saúde pública, a desconfiança em relação às autoridades e o conflito entre liberdade individual e proteção coletiva soavam estranhamente familiares.
Com o tempo, Oswaldo Cruz receberia o reconhecimento que lhe faltou naquele momento. O livro também mostra como políticas públicas podem produzir efeitos inesperados. Quando o governo passou a pagar por ratos mortos para combater a peste, surgiu um mercado para o animal, e houve quem passasse a criar ratos para vendê-los ao próprio governo. Um episódio quase cômico no meio de uma história que, lida durante a Covid, parecia muito mais próxima do que deveria.
“Mas não pode, em nome da saúde pública, impor o suicídio aos inocentes”
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