Guy de Maupassant · França · @grualivros
Li por indicação do José Miguel Wisnik, que traçou um paralelo com “O espelho”, de Machado de Assis. Gostei. Algumas reflexões sobre a condição humana são muito interessantes, principalmente a ideia de que nossos sentidos talvez sejam insuficientes para perceber tudo o que existe ao nosso redor.
O que mais funciona é acompanhar, por meio do diário, a deterioração do pensamento do narrador. Maupassant deixa em aberto se existe de fato uma presença invisível, o Horlá, ou se estamos apenas acompanhando um homem enlouquecer. Acompanhamos a mente construir, pouco a pouco, uma explicação perfeitamente coerente para aquilo que talvez seja sua própria loucura.
“Já vi loucos, conheci alguns que permanecem inteligentes, lúcidos e até clarividentes quanto a todos os aspectos da vida, menos um ponto”
p. 36 · uma de 6 frases marcadas neste livro
Quando passamos muito tempo a sós, povoamos o vazio de fantasmasp. 26
O povo é um rebanho de imbecisp. 26
… Princípios, ou seja, ideias tidas como certas e imutáveis no mundo em que não se tem certeza de nada, já que a luz é uma ilusão, já que o som é uma ilusãop. 27
Sofremos uma influência terrível daquilo que nos cercap. 34
Tudo é falso, tudo é possível, tudo duvidosop. 62
Já vi loucos, conheci alguns que permanecem inteligentes, lúcidos e até clarividentes quanto a todos os aspectos da vida, menos um pontop. 36