Yuri Al'Hanati · Brasil · @dublinense
Livro de crônicas sobre a pandemia. Pensei se estaria muito atrasado para ler reflexões sobre o início da pandemia e seus efeitos sobre nossas vidas, mas me diverti. O estilo irônico das observações me agradou. Fiquei com a impressão de que o próprio autor tinha receios de cair no clichê das observações sobre o isolamento, e talvez isso tenha ajudado a garantir originalidade. Não deixa de ser curioso ler hoje sobre previsões furadas que fizemos lá no início.
“Os cautelosos morrerão pelo relaxamento dos displicentes, mas os displicentes sequer trarão alguma culpa em seus últimos lampejos de vida mental”
· uma de 6 frases marcadas neste livro
Nosso último dia lá fora pode chegar a qualquer momento agorap. 11
Botamos a culpa nos chineses, nas fábricas poluidoras de rios, em presidentes e aeroportos, porque vagar pelo mundo sem ter alguém para odiar é o mais ensurdecedor tipo de silênciop. 15
Mal nos suportamos fora de nós mesmosp. 24
A verdade é que ficar fechado em casa, completamente sozinho, longe de me deixar maluco ou aflito, me deixou finlandêsp. 39
Sinto que quem não usa máscara na rua quer chamar a atenção, mostrar que é diferente, superior, imortalp. 51
Os cautelosos morrerão pelo relaxamento dos displicentes, mas os displicentes sequer trarão alguma culpa em seus últimos lampejos de vida mental