J. M. Coetzee · África do Sul · @companhiadasletras
Gostei imensamente do livro, principalmente da parte inicial. As inquietações do magistrado são muito bem retratadas, e Coetzee escreve com uma precisão impressionante. Cada capítulo forma quase uma unidade própria e poderia receber um título: tortura, viagem, prisão etc.
O livro parte de uma fronteira indefinida entre o Império e os chamados bárbaros para refletir sobre o medo do desconhecido, o preconceito, o poder do Estado, o cárcere e a crueldade. Aos poucos, a ameaça dos bárbaros importa menos do que aquilo que o próprio Império é capaz de fazer em nome dessa ameaça.
Gostei especialmente do conflito do magistrado, que começa integrado à ordem que produz a violência e tenta, com todas as suas contradições, não ser contaminado por ela.
“Tudo o que quero agora é viver a minha vida calmamente no mundo familiar, morrer em minha própria cama e ser acompanhado até o túmulo por velhos amigos”
p. 102 · uma de 5 frases marcadas neste livro
A dor é a verdade; tudo mais está sujeito a dúvidap. 12
Nada é pior do que aquilo que somos capazes de imaginarp. 46
Ter sido pior: podia ter sido melhor, talvez, mas podia ter sido piorp. 102
Tudo o que quero agora é viver a minha vida calmamente no mundo familiar, morrer em minha própria cama e ser acompanhado até o túmulo por velhos amigosp. 102
… ao me afastar da multidão, o que se tornou importante acima de tudo é que eu não seja contaminado pela atrocidade que está para ser cometida, nem me envenene com ódio impotente contra seus perpetradores. Não posso salvar os prisioneiros, portanto tenho de salvar a mim mesmop. 139