Anelise Chen · EUA · @todavialivros
Gostei muito. O livro tem uma forma híbrida, próxima de um diário, intercalado por imagens, episódios da história dos esportes e reflexões da narradora. Apesar da estrutura fragmentada, é muito bem escrito.
Acho que o centro do livro está na crise existencial da pesquisadora que tenta terminar sua tese enquanto lida com o suicídio de um amigo e começa a questionar as próprias ideias de sucesso e fracasso. O esporte funciona como pano de fundo e, ao mesmo tempo, como uma forma de pensar essas questões: por que insistimos? Quando desistir é fracassar? Até que ponto o esforço tem valor por si mesmo?
Gostei especialmente das histórias esportivas espalhadas pelo livro. Uma delas é a de um jovem taiwanês que decidiu nadar até a China continental. Tornou-se depois economista e chegou a um cargo de direção no Banco Mundial. Outra é a tragédia de Ibrox Park, em 1902: durante uma partida entre Escócia e Inglaterra, parte da arquibancada desabou. Há ainda a ginasta Kerri Strug, que fez seu salto nas Olimpíadas de 1996 mesmo lesionada e terminou carregada até o pódio para receber a medalha de ouro.
Esses episódios ajudam a sustentar as melhores ponderações do livro sobre competição, resistência, vitória e desistência. Chen questiona justamente nossa tendência de transformar persistência e sofrimento em virtudes por si mesmos, como se continuar fosse sempre uma vitória e desistir, necessariamente uma derrota.
“Talvez a obsessão moderna pelo esporte seja uma resposta terapêutica algum medo oculto que nos coloque em movimento”
p. 79 · uma de 4 frases marcadas neste livro
Enquanto você se recusa a desistir, ainda é possível vencerp. 13
A resistência é um esforço necessáriop. 15
O que os grandes atletas têm que nós não temos é um desejo irrestritop. 49
Talvez a obsessão moderna pelo esporte seja uma resposta terapêutica algum medo oculto que nos coloque em movimentop. 79