Caitlin Doughty · EUA · @darksidebooks
Este livro é um relato das experiências da autora na indústria funerária dos EUA nos anos 2010. Mas é mais do que a reunião de histórias curiosas do crematório. Há uma exposição de como a morte é encarada em diversas culturas (inclusive nos Wari’, indígenas da Amazônia). Gostei do estilo da autora, que tem um canal no YouTube (#askamortician) e se tornou muito popular na Internet. Ela descreve procedimentos praticados nos corpos e questiona o medo que temos de certas práticas. Gostei especialmente do capítulo intitulado “A arte de morrer”, que questiona o custo do prolongamento da vida a qualquer preço. Quero ler outros autores sobre esse tema (Ana Claudia Quintana Arantes e Atul Gawande). A edição é linda, de excelente qualidade; mas a capa do livro talvez remeta a uma ideia diferente, de literatura de terror.
“A mãe estava morrendo, e a filha sabia. Recusar-se a falar sobre o assunto e chamar a morte de “inesperada” não é uma desculpa aceitável”
p. 119 · uma de 6 frases marcadas neste livro
Ver um crânio humano em chamas é mais intenso do que os voos mais loucos da sua imaginação são capazesp. 32
A mãe estava morrendo, e a filha sabia. Recusar-se a falar sobre o assunto e chamar a morte de “inesperada” não é uma desculpa aceitávelp. 119
Expor uma criança pequena às realidades do amor e da morte é bem menos perigoso do que expô-la à mentira do final felizp. 150
Se deixados em paz, os corpos humanos apodrecem, se decompõem, se desintegram e afundam gloriosamente na terra, de onde vieram. Usar o embalsamento e os caixões pesados de proteção para impedir esse processo é uma tentativa desesperada de adiar o inevitável e demonstra nosso pavor óbvio da decomposiçãop. 164
A medicina nos deu a “oportunidade” (imprecisamente definida) de estar no nosso próprio velóriop. 224
A morte pode parecer destruir o sentido das nossas vidas, mas na verdade ela é a fonte da nossa criatividadep. 230