Mário de Sá-Carneiro · Portugal · @editoradcl
Lúcio resolveu confessar depois de cumprir dez anos por um crime que ele não cometeu. Isso ficamos sabendo logo pelo título e no primeiro parágrafo. A narrativa volta então para a juventude de Lúcio, suas andanças entre Paris e Lisboa, andanças no círculo social de artistas e o desenvolvimento de amizades. Mário de Sá-Carneiro foi amigo de Fernando Pessoa e expoente do modernismo português. Apesar dos estilos literários diferentes, lembrei de Os Maias, do Eça de Queiroz. Nos dois casos, há muita descrição da sociedade portuguesa e suas personagens, e uma ácida crítica aos padrões. O livro é bem amarrado. A leitura foi prejudicada pela edição, que é ruim e com muitas notas explicativas que atrapalham.
“Pois Gervásio partia do princípio de que o artista não se revelava pelas suas obras, mas sim, unicamente, pela sua personalidade”
p. 13 · uma de 8 frases marcadas neste livro
Pois Gervásio partia do princípio de que o artista não se revelava pelas suas obras, mas sim, unicamente, pela sua personalidadep. 13
Isto é, os falsos artistas cuja obra se encerra nas suas atitudes; que falam petulantemente, que mostram complicados de sentidos e apetites, artificiais, irritantes, intoleráveis. Enfim, são os exploradores da arte apenas no que ela tem de falso e de exteriorp. 14
Éramos todos almap. 19
....e muitas vezes, em torno de um beijo, circula todo um mundo, toda uma humanidadep. 21
O mistério era essa mulher. Eu só amava o mistério...Eu amava essa mulher! Eu queria-a! Eu queria-ap. 43
...eu tinha nojo do seu corpo como sempre tive novo dos epiléticos, dos loucos, dos feiticeiros, dos iluminados, dos reis, dos papas - da gente que o mistério grifoup. 56
Esquecer é não ter sidop. 60
Somos sempre assim: o tempo vai passando, e tudo se nos volve saudoso - sofrimentos, dores até, desilusões...p. 61