Jon Fosse · Noruega · @editorafosforo
Alguém que dirige sem destino. Para numa floresta. Fica perdido em um não lugar. E pensa sem parar. A narrativa é um fluxo de consciência, com a descrição detalhada dos pensamentos. Uma hora, tem certeza. No momento seguinte, coloca em xeque a conclusão. A identificação com essa sensação é fácil. Lembrei da velha piada em que um sujeito tem o pneu do carro furado, pensa em pedir uma ajuda numa casa, mas imagina a resposta de que não terá ajuda, e quando chega o encontro mesmo ofende o cara e diz que não precisa de ajuda. O livro é assim, todo passado na cabeça do narrador. Uma boa leitura.
“Tenho medo, é simples assim. Mas é um medo tranquilo. Um medo sem angústia. Mas será que estou mesmo com medo. Ou não passa de uma palavra, esse medo”
p. 19 · uma de 5 frases marcadas neste livro
Estou com o carro preso numa estrada na floresta, não tem ninguém por perto, e não consigo tirá-lo daqui, então suponho que isso já seja o bastante para me ocupar, sim, ocupar a cabeça, como se diz, me ocupar imaginando como tirar o carro daquip. 8
Tenho medo, é simples assim. Mas é um medo tranquilo. Um medo sem angústia. Mas será que estou mesmo com medo. Ou não passa de uma palavra, esse medop. 19
Amor, o que quero dizer com essa palavra, pois se há uma palavra que não significa nada é essap. 29
São só palavras. Mas há palavras e palavrasp. 29
Tudo que se experimenta, sim, é de certa forma real, sim, também compreendo isso, de certa formap. 54