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Sonata ao luar

Dalton Trevisan · Brasil · @arteeletra

Período
25 nov – 10 dez
16 dias
Tempo de leitura
4h35
cerca de 17 min por dia
Páginas
199
físico
Ritmo
43 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

Um livro quase esquecido de Dalton Trevisan (sua terceira publicação, aos 20 anos). Relançado neste ano, quase 80 anos depois, em uma tiragem artesanal de 150 exemplares. É um texto maior do que os contos que o consagrariam como um dos maiores escritores brasileiros (seria uma novela?), mas dividido em capítulos. De uma certa forma, vários contos que estão unidos pela mesma temática. Reafirmei minha impressão de um universo parecido com o de Nelson Rodrigues: não no estilo, talvez não na altura, mas no ambiente: essa coisa do interior da família suburbana/provinciana. Fiquei com medo de falar bobagem, mas depois o Caetano Galindo publicou uma resenha dizendo que Dalton tem "ouvido para uma oralidade real e sui generis que só teria rival em Nelson Rodrigues".

Frase marcada

“No outro quarto, o marido roncando como um bem-aventurado que é, a mãe que não dormiu, ouvindo-o comer, será feliz como se a vida toda o tivesse sido”

p. 88 · uma de 17 frases marcadas neste livro
p. 1p. 199
Todas as frases marcadas
  1. Estas saudades que me dão agora de alguém, que nunca fui, mas poderia ter sido!p. 31
  2. O nome é tudo, as ideias valem pelas frases sonoras e cornucópia é a mais bela palavra da línguap. 51
  3. Doces céus de Curitiba, cobrindo as ruas com seu manso olhar azul, os dedos do vento bolem as folhas dos pinheiros, num murmúrio de vozes que cochicham; até onde a vista alcança, os telhados vermelhos, as paredes leitosas, as chaminés fumegando uma fumacinha e as casas todas iguais estendem-se aos nossos pés, que nem um rebanho de carneiros dormindop. 79
  4. Cruzamos a rua 15, procissão triste e lenta de gente que parece ir a alguma parte e não vai a parte algumap. 80
  5. No outro quarto, o marido roncando como um bem-aventurado que é, a mãe que não dormiu, ouvindo-o comer, será feliz como se a vida toda o tivesse sidop. 88
  6. Eu acho que se nhá Mãe quisesse, ele casava com ela agora mesmo, pois numa sopinha de legumes e em um chá com torradas, às vezes, está toda a felicidade da terrap. 179
  7. Ficar velho é menos triste que ficar feiop. 180
  8. Todo dia é assim, o mundo é ainda o mesmo de ontem; também eu não mudarei nunca, sou sempre eu, cada vez mais eup. 186
  9. A vida é uma faísca fugitiva; brilha apenas o tempo de ser percebida. Tu, que estás diante do vinho, e não te decide bebê-lo, para que ele te dê alegria, - que é que esperas?p. 10
  10. Um domingo é sempre um dia diferente dos outros, sereno e manso, de um céu azul por cima das coisas, suspensas no meio de um gesto. Não há nada mais para fazer num dia como esse, que é uma saudade de si mesmo, e em que as horas se arrastam, penosas como lesmasp. 30
  11. A realidade não tem o poder de convicção do sonho, que cobre tudo de um véu inconsútil que gera os fantasmasp. 41
  12. Tutinha não queria ir para Veneza, eu nunca entendi direito o seu drama, como sabemos tão pouco dos outros, como fazemos tão pouco para sabermos maisp. 48
  13. ...e não sabe que eu existo, assim a lua não ouve a serenata dos gatos abrasados miando nos beirais...p. 54
  14. Eu não tenho nada, e assim mesmo eu tenho tantop. 91
  15. O sonho pode ser mais do que tudo, o sonho pode ser mais do que o reip. 116
  16. Nunca ganhei, no Natal, os presentes que eu queria, não tive uma bicicleta, nenhuma mulher me chamou de 'meu amor'p. 132
  17. Nunca pude amar mais que sete dias - quem é poeta só ama a si mesmo. Estudar emoções no papel é matá-las pelo meio mais violento, mulheres cantadas são mulheres mortas - 'perfis amados e esquecidos'p. 168
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