Daniel Martins de Barros · Brasil · @editorasextante
Comprei esse livro totalmente ao acaso. Estava no caixa da livraria e o título me chamou a atenção: era um tema que eu vinha discutindo com a minha filha. Essa autocobrança pela excelência gera um sofrimento. Com o livro em mãos, descobri o autor e notei que não era um livrinho de autoajuda. Daniel é professor da USP, tem vários outros livros publicados (comprei mais dois: um de literatura juvenil e outro sobre Machado de Assis, direito e psiquiatria!). Também comecei a segui-lo @danielmbarros, e é um cara muito boa gente. O insight do livro são os princípios do arcadismo: carpe diem, aurea mediocritas, inutilia truncat e fugere urbem. Tem um quê de estoicismo, então já gostei a partir daí. Um livro leve para nos relembrar de questões fundamentais e colocar a cabeça no lugar.
“Temos uma tendência inata à insatisfação. Quando não temos, queremos. Quando conseguimos, logo nos acostumamos e queremos mais”
p. 21 · uma de 10 frases marcadas neste livro
Nada contra a excelência, claro. Mas me pareceu que, ao colocar todos os holofotes nela, estamos ofuscando outras coisas importantes na vida. Compaixão. Moderação. Cooperaçãop. 12
Temos uma tendência inata à insatisfação. Quando não temos, queremos. Quando conseguimos, logo nos acostumamos e queremos maisp. 21
Foi quando pensei que o sucesso deveria ser medido não apenas pelo que conquistamos, mas também pelas coisas de que não abrimos mão para alcançar tais conquistas. De acordo com esse novo conceito de triunfo, vencedores seriam também aqueles que não precisaram sacrificar nada de importante para si, mesmo que não tenham conquistado medalhasp. 46
As pessoas que, por personalidade, querem maximizar os resultados de suas escolhas são as mais insatisfeitas e infelizes com as próprias decisões, apesar de serem as que gastam mais tempo e energia em busca de opçõesp. 55
Para prestar atenção não basta se livrar das distrações. É preciso desacelerarp. 94
A disponibilidade imediata e infinita de informações a um toque dos dedos no celular funciona como um estímulo supranormal, e sem perceber estamos o tempo todo atrás de notícias, fofocas, vídeos, postagens. Ficamos aflitos quando não conseguimos nos atualizarp. 31
Sem as pessoas dispostas a chegar aos extremos em prol da excelência não teríamos muito da arte, da ciência e da sabedoria que os abnegados vão buscar nos limites da experiência humanap. 48
Resgatar a possibilidade de estar feliz e na média é libertar-se dessa opressãop. 51
Parece que o sentido da vida está ligado ao fato de ela ser finita - e, visto dessa forma, o lema carpe diem não é um incentivo a perder as estribeiras, mas sim um estímulo a não postergarmos o que a vida nos oferecep. 87
Sabendo que a vida é finita, devemos dar atenção a cada momento e desfrutá-la, tranquilos e sem pressa, não distraídos pelos excessos - dos quais só nos livramos ao abraçarmos a moderaçãop. 101