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13/2024

A mais recôndita memória dos homens

Mohamed Mbougar Sarr · Senegal · @fosforoeditora

Período
8 mai – 30 mai
23 dias
Tempo de leitura
8h55
cerca de 23 min por dia
Páginas
397
físico
Ritmo
45 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

Yambo Ouologuem ganhou um prêmio literário na França nos anos 60. Depois da aclamação, foi acusado de plágio, o livro foi banido e ele caiu em desgraça. Este é um fato real. O livro de Sarr é dedicado a Ouologuem. O narrador é um escritor senegalês (Diégane Faye) que fica encantado com a descoberta de um livro escrito nos anos 30 por um conterrâneo (Elimane), inicialmente louvado pela crítica, mas depois acusado de plágio e sumiu. A história se desenrola na obsessão do narrador pelo livro e seu autor.

É um livro bem escrito, com alterações do narrador, no tempo e no espaço. Passa por França, Senegal, Holanda e Argentina. O autor foi hábil ao usar a literatura como tema. Todo leitor é um suspeito apaixonado por literatura. Então, é fácil se identificar com várias considerações que ele faz sobre a relevância dos livros e dos escritores em nossa vida. Entendi que o livro tem uma conexão com Roberto Bolaño. Como nunca li o Bolaño, fiquei sem essa referência. Na parte final, ele perde um pouco o fôlego - principalmente nos diálogos na Argentina e no Senegal, fiquei um pouco incomodado com o estilo muito explicadinho. Mas no geral, o saldo foi positivo, é uma leitura que agrada.

Frase marcada

“Era assim importante descobrir os segredos da pessoa que amamos? Não a amamos justamente pelo que permanece externo à nossa curiosidade?”

p. 326 · uma de 20 frases marcadas neste livro
p. 1p. 397
Todas as frases marcadas
  1. As grandes obras empobrecem e sempre devem empobrecer. Retiram de nós o supérfluo. Saímos de sua leitura desnudados: enriquecidos, mas enriquecidos por subtraçãop. 41
  2. Vou te dar um conselho: jamais tente dizer do que fala um grande livro. Ou, se você o fizer, eis a única resposta possível: não fala de nada. Um grande livro sempre fala de nada e, no entanto, tudo está láp. 44
  3. Nossa preocupação profunda é com o passado; e enquanto caminhamos para o futuro, para o que vamos nos tornar, é com o passado, com o mistério do que fomos, que nos preocupamosp. 181
  4. Topar com alguém silencioso, alguém verdadeiramente silencioso, sempre põe em questão o sentido - a necessidade - de nossa própria palavra, a qual subitamente questionamos se não é uma tagarelice maçante, uma borra da linguagemp. 16
  5. um acaso é sempre um destino que se ignorap. 19
  6. Buscar o aniquilamento na própria obra nem sempre é sinal de humildade. Até o desejo pelo nada pode ser uma vaidade...p. 47
  7. ...eles, que eram obrigados a ser africanos, mas nem tanto, e que, para obedecer a esses dois imperativos, ambos tão absurdos, esqueciam-se de ser escritoresp. 50
  8. Nossa vida é isto: tentar fazer literatura, sim, mas também falar dela, pois falar dela significa mantê-la viva, e enquanto ela for viva a nossa vida, mesmo inútil, mesmo tragicamente cômica e insignificante, não estará perdida de todop. 59
  9. Jamais deveríamos nos aproximar demais dos artistas de que gostamos. É preciso ter elegância, admirar à distância, em silênciop. 72
  10. Quero dizer que nada entristece tanto o homem como suas lembranças, mesmo as felizesp. 86
  11. Ser um grande escritor talvez seja dominar a arte de dissimular seus plágios e referências, não mais do que isso [...]p. 99
  12. A vida nos pertence precisamente quando escapap. 152
  13. O que o feriu foi vocês não o terem enxergado como escritor, mas como um fenômeno midiático, um negro excepcional, um campo de batalha ideológico. Em seus artigos, pouco se falou do texto, da escrita, da criaçãop. 208
  14. Nada que é humano é único. Com o tempo tudo se torna terrivelmente comum. Eis o impasse; mas é nesse impasse que a literatura tem alguma possibilidade de nascerp. 249
  15. É por causa disso tudo, de toda essa mediocridade promovida e premiada, que merecemos morrer. Todos: jornalistas, críticos, leitores, editores, escritores, sociedade - todosp. 269
  16. ...se não for para abalar a alma de uma pessoa, é melhor não escreverp. 316
  17. Era assim importante descobrir os segredos da pessoa que amamos? Não a amamos justamente pelo que permanece externo à nossa curiosidade?p. 326
  18. ...um dia acabaremos reconhecendo que antes de serem violadas pela vida ou por padres ou por pedófilos e outros pervertidos, as crianças são violadas pelos pais que mentem para elasp. 357
  19. Veja o que eu era e veja o que esse livro fez de mimp. 366
  20. ...a alternativa diante da qual hesita o coração de toda pessoa assombrada pela literatura: escrever, não escreverp. 395
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