Livaral Livros no varal,
ideias no ar.
Leituras vizinhas
15º2023 16º2023 17º2023 18º2023 19º2023 20º2023 21º2023
18/2023

O que é meu

José Henrique Bortoluci · Brasil · @fosforoeditora

Período
24 mar – 27 mar
4 dias
Tempo de leitura
3h36
cerca de 54 min por dia
Páginas
144
físico
Ritmo
40 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

Que livraço! Fiquei profundamente emocionado pela forma como @ze_bortoluci narra as aventuras de seu pai. Em primeira pessoa, ele compartilha suas angústias com o leitor. Essa relação pai/filho é profundamente tocante, em várias passagens eu fiquei com um nó na garganta. Talvez eu esteja passando por momentos parecidos, tanto como filho quanto como pai, e por isso me impactou tanto. Ele escreve se envelhece gradualmente, mas também de repente. Essa constatação da finitude é chocante. O autor alerta que que não queria fazer uma história social dos caminhoneiros brasileiros, mas acho que isso é inevitável. No miolo do livro, há uma análise social e política do país. Confesso que essa parte me pegou menos. Eu percebi que grifei mais as páginas iniciais e as finais, que são as que concentram mais as relações pessoais. Lembra o estilo da Annie Ernaux, embora aqui eu tenha sentido mais destaque ao pai do que ao narrador. Recomendo demais, o melhor do ano.

Frase marcada

“Falar é trazer os mortos para dançar na festa dos vivos, é reviver o trajeto de gerações passadas e de nossa história de encontros e de perdas”

p. 28 · uma de 14 frases marcadas neste livro
p. 1p. 144
Todas as frases marcadas
  1. Porque se eu tivesse gravado tudo que eu fiz, você ia sentir o maior orgulho do seu pai. O que é meu é tudo aquilo que eu vi e gravei na memóriap. 14
  2. A sua ausência parece deixá-la mais viva - nesse silêncio, todos sabemos que é de câncer que se tratap. 18
  3. Nossos corpos e nossas vozes anunciam constantemente a casa dos nossos pais e formas de voltar a ela - ou de tentar fugirp. 27
  4. Passamos a vida construindo nosso próprio vocabulário, compondo um ritmo de fala, reinventando expressões que ouvimos em um tempo remotop. 28
  5. Só podemos falar nossa própria língua quando acertamos as contas com a língua dos nossos paisp. 29
  6. Nós chegamo em casa, você não parava de chorar ali no sofá, você lembra? E o pai falou: eu já joguei o cigarro fora e eu quero que o diabo me dê o pior lugar do inferno se um dia eu por outro cigarro na bocap. 45
  7. É possível de fato retornar à casa depois de travar batalhas, ver seres mágicos, enfrentar a solidão profunda, conhecer o mundo?p. 46
  8. O que é meu, só eu posso enfrentarp. 133
  9. Palavras são estradas. É com elas que conectamos os pontos entre o presente e um passado que não podemos mais acessarp. 10
  10. O câncer também tem algo de transbordamento: ele é matéria deslocada, em frenética expansãop. 17
  11. Envelhece-se gradualmente (...). Também se envelhece de repentep. 19
  12. Falar é trazer os mortos para dançar na festa dos vivos, é reviver o trajeto de gerações passadas e de nossa história de encontros e de perdasp. 28
  13. ...mas como pai receoso de também não deixar nada, de um dia terminar como mais uma engrenagem de um ciclo de reprodução da classe trabalhadora em um país em que a desigualdade é uma das marcas distintivas, nosso cruel amálgama coletivop. 39
  14. Igreja, câmara e puteiros formavam uma espécie de Santíssima Trindade política do interior do país: catolicismo, masculinidade patriarcal e mandonismo político localp. 41
Lido junto com
Parecidos no Livaral
Ver o post no @li.varal