Benjamín Labatut · Chile · @todavialivros
Livro curtinho, dois ensaios do autor que tocam temas parecidos com o livro "Quando deixamos de entender o mundo", de que eu gostei muito. Gosto do estilo de Labatut, refletindo sobre o conhecimento científico e questões existenciais.
“'A coisa mais misericordiosa do mundo, acredito eu, é a incapacidade da mente humana de relacionar todos os seus conteúdos', escreveu Lovecraft”
p. 9 · uma de 9 frases marcadas neste livro
'A coisa mais misericordiosa do mundo, acredito eu, é a incapacidade da mente humana de relacionar todos os seus conteúdos', escreveu Lovecraftp. 9
O real está fora do nosso alcance. Nossas vidas se tornaram tão estranhas e incertas quanto o reino quânticop. 20
O fracasso de nossas grandes narrativas em refletir como é estar vivo durante a segunda década do século XXI e o colapso desse dom divino que nos permite colocar em palavras a realidade e dar sentido ao que nos cerca para partilhar uma história em comum sem dúvidas estão na base da nossa confusão atual e da nossa quase total desorientaçãop. 31
Nos agarramos à ideia do caos mais do que a qualquer outra metáfora nascida da ciência durante o século passado, pois parece expressar e encarnar nossa condição atual de uma maneira que nenhuma ordem pode sequer aspirar (...)p. 35
A única coisa que sabemos com certeza é que a realidade só vai ficar mais estranha nas próximas décadasp. 41
(...) que, às vezes, enlouquecer é uma resposta adequada à realidade, que a verdade e a loucura podem ser sintomas da mesma doença, e que o preço que pagamos pelo conhecimento é a perda da compreensãop. 42
Afinal, os sinuosos caminhos da desrazão possuem uma beleza sedutora e orgânica da qual as linhas retas da lógica e as estritas conexões de causa e efeito carecem por completop. 56
Poderemos algum dia extrair a pedra da loucura? Seremos capazes de arrancar por completo aquele bulbo maligno através de algum processo físico ou psicológico?p. 65
Embora não restem dúvidas de que corremos um grande perigo ao deixar os espíritos da desrazão galoparem fora de controle, livres e selvagens, tampouco podemos exorcizá-los de todo, pois sem eles não apenas seremos mais pobres em muitos sentidos: sem eles, podemos não sobreviverp. 67