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Robert Musil · Áustria · @editoraperspectiva

Período
28 mar – 16 abr
20 dias
Tempo de leitura
4h58
cerca de 15 min por dia
Páginas
234
físico
Ritmo
47 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
3 de 5

O livro é formado por dois contos (A perfeição do amor e A tentação da quieta Verônica), e ensaios de Kathrin Rosenfield. Nos "Contos morais", do Coetzee, há uma referência ao conto "A perfeição do amor". Eu adoro essas referências cruzadas, então fui atrás desse. A edição é super caprichada, com ilustrações feitas para o livro por três artistas brasileiros. A leitura foi difícil, especialmente do segundo conto. A narrativa de Musil é do ponto de vista da mulher e faz considerações sobre infidelidade, depois de uma experiência pessoal dele. Os textos de apoio da Prof. Rosenfield são fundamentais. Ela faz uma relação dos contos com a obra de Clarice Lispector - algo que está também no conto de Coetzee.

Frase marcada

“E, de repente, me pareceu que ela ficara sem envelhecer por muito tempo e, então, num salto, havia ficado velhíssima para depois ficar sempre igual”

p. 102 · uma de 10 frases marcadas neste livro
p. 1p. 234
Todas as frases marcadas
  1. Havia casos para os quais ela não encontrara um desfecho rápido e contido como aquele, e assim ficara por muito tempo sob o domínio de homens irrelevantes, homens para quem fazia tudo o que exigiam, até o total sacrifício de si mesma e o mais extremo despojamento de sua vontadep. 29
  2. Há tantas perguntas que ficam à margem na relação com pessoas amadas; caminhamos à distância delas para continuar a construir a vida em comum, antes de ponderá-las e respondê-las plenamentep. 35
  3. E, de repente, ela se lembrou que também - como tudo ao redor - vivera presa e amarrada num só lugar, numa cidade, numa casa, num apartamento e com certo modo de se sentir, anos e anos num minúsculo pontop. 40
  4. Mesmo assim, compreendeu de modo obscuro que não era o estranho que a atraía e tentava. Era só aquele estar parado e aquele aguardar, e a alegria ramificada, selvagem e desemparada de ser ela mesma, um ser humano que desperta entre coisas inanimadas, como uma ferida que eclodep. 52
  5. Pensou: memorizamos uma linha que produz um nexo qualquer, para com isso ter sustentação, e assim nos apoiamos em nós mesmos, erguidos entre as estacas mudas das coisas; eis nossa vida; algo que se parece com um falar incessante, fingindo que cada palavra tem algo a ver com a anterior, exigindo a seguinte, pois tememos que, no momento em que o silêncio as romper, a quietude há de dissolver-nos em alguma vertigem inconcebívelp. 74
  6. Há coisas que nunca podemos fazer, não sabemos bem por que.... talvez sejam as mais importantesp. 83
  7. É estranho que transpor somente uma linha bastep. 89
  8. E, de repente, me pareceu que ela ficara sem envelhecer por muito tempo e, então, num salto, havia ficado velhíssima para depois ficar sempre igualp. 102
  9. Às vezes, queremos viver acontecimentos, se somente pudéssemos realizá-los como ações, sem ninguém mais e sem nadap. 104
  10. E sonhos não estão dentro da gente, tampouco são fragmentos da realidade, mas estendem sua abóbada em alguém lugar no sentimento total e ali vivem a pairar, sem peso, como um líquido no interior de outrop. 131
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