Nicanor Parra · Chile · @editora34
Ouvi sobre esse livro no #livrosnocentro, podcast da @livrariamegafauna. Fiquei intrigado com a história da fã que foi visitar o poeta nonagenário, mas que desistiu de tocar a campainha e se deleitou com um quase encontro. Ainda bem que ela retornou anos depois e levou em frente o projeto de traduzir para o português esses poemas e antipoemas de Nicanor Parra, poeta chileno que seguiu seu próprio caminho, sem fazer concessões a qualquer grupo. Ainda tenho dificuldade para ler poesia, mas aos poucos vou achando o que me dá prazer. Os antipoemas de Parra são numa linguagem coloquial e frequentemente analisando o próprio ofício do poeta. A sua figura pessoal também é muito curiosa, e o posfácio da @joanabarossi emociona - um poeta que conta as sílabas que pronuncia e fala em verso?
“Eu não trabalho nem mais um minuto Basta o que já fiz Então não basta tudo o que fiz? Até quando diabos Querem que eu faça papel de ridículo?”
posição 58 · uma de 19 frases marcadas neste livro
Nem muito esperto nem doido varrido Fui o que fui: uma mescla De vinagre e azeite de oliva Um embutido de anjo e de besta!posição 30
O poeta não cumpre sua palavra Se não muda os nomes das coisasposição 51
Todas essas matronas respeitáveis Com seus lábios maiores e menores Vão acabar me tirando do sérioposição 63
O pensamento não nasce na boca Nasce no coração do coraçãoposição 88
Ou sabemos tudo de antemão Ou nunca saberemos absolutamente nadaposição 139
Só com a beleza me conformo A feiura me causa dorposição 143
Nossa curiosidade nos impede muitas vezes de gozar plenamente da antipoesia por tentar entender e discutir aquilo que não se deveposição 174
O autor não responde pelos incômodos que seus escritos [possam provocarposição 31
Entretanto, o mundo sempre foi assim. A verdade, como a beleza, não se cria nem se perde E a poesia reside nas coisas ou é simplesmente uma [miragem do espíritoposição 42
Eu não trabalho nem mais um minuto Basta o que já fiz Então não basta tudo o que fiz? Até quando diabos Querem que eu faça papel de ridículo?posição 58
Não podemos viver sem poesiaposição 87
Todo homem é um herói Pelo simples fato de morrerposição 99
Peço perdão a torto e a direito Mas não me declaro culpadoposição 122
És um manancial inesgotável De vida humana.posição 135
Custa bastante trabalho crer Num deus que deixa suas criaturas Abandonadas à própria sorte À mercê das ondas da velhice E das doenças Pra não dizer nada da morteposição 140
Fornicar é um ato literárioposição 143
Analisar é renunciar a si mesmoposição 144
impossível falar sem incorrer em crime de contradiçãoposição 158
não ressuscite por nenhum motivo não tem por que você passar nervoso como disse o poeta você tem a morte inteira pela frenteposição 176