Byung-Chul Han · Coreia do Sul · @editoravozes
Uma amiga me indicou a leitura de Byung-Chul Han, um filósofo sul-coreano radicado na Alemanha. Há uma série de livros curtos dele sobre temas contemporâneos. Ele explica a atuação dele como filósofo: "Eu tento interpretar o hoje em pensamentos". Este ensaio trata da sociedade da informação e das repercussões dos meios digitais tanto para a nossa condição particular quanto coletiva, como sociedade. Ainda que não tenha nenhuma ideia propriamente inovadora, o mérito do livro é organizar as reflexões sobre esse tema que me preocupa demais.
“No lugar das mãos, entram os dedos. O novo ser humano passa os dedos, em vez de agir. Ele quererá apenas jogar e aproveitar”
p. 62 · uma de 11 frases marcadas neste livro
A falta de distância leva a que o privado e o público se misturemp. 13
O sujeito produtivo de hoje é ofensor e vítima simultaneamentep. 33
A desmediatização da comunicação faz com que jornalistas, esses antigos representantes elitistas, esses 'fazedores de opinião' e mesmo sacerdotes da opinião, pareçam completamente superficiais e anacrônicos. A mídia digital dissolve toda classe sacerdotalp. 37
Linguagem e cultura se achatam. Elas se tornam vulgaresp. 38
Deve-se admitir que a tendência compulsiva, quase histérica, dos turistas japoneses de tirar fotos representa uma reação inconsciente de defesa, que visa banir a chocante realidade por meio de imagens. Fotos belas, como imagens ideais, os protegem da realidade sujap. 55
Todo nascimento promete um novo começo. Agir significa fazer um novo começo, deixar que um novo mundo comecep. 59
No lugar das mãos, entram os dedos. O novo ser humano passa os dedos, em vez de agir. Ele quererá apenas jogar e aproveitarp. 62
Hoje não temos nenhum outro tempo senão o tempo de trabalho. Assim, o trazemos não apenas para as [nossas] férias, mas também para o [nosso] sono. Por isso dormimos inquietos hojep. 64
A informação é cumulativa e aditiva, enquanto a verdade é exclusiva e seletivap. 74
O excesso de informação faz com que o pensamento definhep. 105
O narrativo perde enormemente em significado. Hoje tudo é tornado enumerável, a fim de poder ser convertido na linguagem do desempenho e da eficiência. Assim, hoje, tudo aquilo que não é enumerável cessa de serp. 67