Livaral Livros no varal,
ideias no ar.
Leituras vizinhas
22º2025 23º2025 24º2025 25º2025 26º2025 27º2025 28º2025
25/2025

A crise da narração

Byung-Chul Han · Coreia do Sul · @editoravozes

Período
21 set – 6 out
16 dias
Tempo de leitura
1h26
cerca de 5 min por dia
Páginas
133
físico
Ritmo
93 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

Neste ensaio, Byung-Chul Han examina a redução da narração nos nossos tempos. Estamos trocando a narração pela informação. Há uma diferença entre narrar e transmitir fatos ou contar uma história. A narrativa dá sentido, conecta as nossas referências e projeta o futuro a partir da experiência do passado. Há uma citação excessiva a Walter Benjamin - fiquei com a impressão de que o livro seria um resumo do pensamento dele.

Em tempos de redes sociais e da sociedade de informação, estamos inundados num turbilhão de letras, palavras, dados. Mas com menos relevância para a narração. Em vez disso, temos o storytelling, uma corruptela da narrativa com fins comerciais.

Byung-Chul Han é um pensador muito interessante. É muito claro na exposição de suas ideias. Ele levanta uma bandeira contra o excesso de explicação. Tudo tem de ser explicado, facilitado: "O mundo que pode ser explicado não pode ser narrado".

No dia em que concluí essa leitura, eu assisti a um vídeo da filha do vaqueiro Manuelzão, personagem de JGR, contando que tinha um velho na fazenda cujo serviço era só contar história. Que riqueza!

Frase marcada

“Através do storytelling, o capitalismo se apropria da narração. Ele a submete ao consumo. O storytelling produz narrações na forma de consumo”

p. 13 · uma de 17 frases marcadas neste livro
p. 1p. 133
Todas as frases marcadas
  1. O tsunami de informações fragmenta a atenção. Ele impede o demorar-se contemplativo que é constitutivo do ato de narrar e escutarp. 27
  2. Em vez disso, esse domínio inteligente exige constantemente que comuniquemos nossas opiniões, nossas necessidades e preferências, exige que narremos nossa vida, que postemos, compartilhemos e curtamos. A liberdade não é suprimida, mas completamente explorada. Ela se transforma em controle e direçãop. 28
  3. A vida é mais do que solução de problemas. Aqueles que só solucionam problemas já não possuem futuro. Somente a narração desvela o futuro, somente ela nos dá esperançap. 41
  4. A crise de hoje não é mais viver ou narrar, mas viver ou postarp. 67
  5. Através do storytelling, o capitalismo se apropria da narração. Ele a submete ao consumo. O storytelling produz narrações na forma de consumop. 13
  6. O desmantelamento sucessivo da distância é uma característica da modernidade. A distância desaparece e cede lugar à ausência de afastamentop. 18
  7. O narrador não informa nem explica. A arte de narrar exige que as informações sejam retidas: 'metade da arte narrativa está em evitar explicações'p. 19
  8. A crise narrativa da modernidade se deve ao fato de que o mundo está inundado de informaçõesp. 20
  9. A sociedade está ficando cada vez mais pobre em experiências transmissíveis que correm da boca ao ouvido. Nada mais é transmitido e narradop. 32
  10. A compulsão pela atualização desestabiliza a vidap. 40
  11. Uma reprodução sem falhas da vivência não é uma narrativa, mas um relatório ou registrop. 56
  12. Somente a narração de histórias eleva a vida para além de sua pura facticidade, para além de sua nudezp. 62
  13. O mundo que pode ser explicado não pode ser narradop. 74
  14. Relações mágicas ou poéticas com o mundo significam que uma profunda simpatia conecta seres humanos e coisasp. 79
  15. A narração de histórias cura, na medida em que proporciona um profundo relaxamento e cria um senso de confiança básicap. 111
  16. As teorias da conspiração também possuem uma função terapêutica. Elas oferecem uma explicação simples para questões complexas que são responsáveis pela crisep. 114
  17. Paradoxalmente, a crescente conectividade nos isola. Essa é a funesta dialética da conectividade. Estar conectado não significa estar vinculadop. 119
Lido junto com
Parecidos no Livaral
Ver o post no @li.varal