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O maior ser humano vivo

Pedro Guerra · Brasil · @editorarecord

Período
8 set – 29 dez
113 dias
Tempo de leitura
5h51
cerca de 3 min por dia
Páginas
240
kindle
Ritmo
41 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
2 de 5

Um jovem advogado em um grande escritório de advocacia do Brasil fazendo de tudo para subir na carreira. A premissa deste livro me chamou a atenção, por ser um ambiente que me é familiar. Comecei a leitura em setembro, mas os compromissos profissionais (da advocacia!) me travaram. Retomei no final de dezembro e li quase tudo em dois dias.

O livro é uma crítica à máquina moderna de moer gente. O primeiro capítulo já entrega os dramas de Nilo, o personagem principal: primeiro as agruras de um sistema tradicional (o business da advocacia), depois a armadilha do sucesso no show business. Na primeira parte, Nilo está em ascensão, trabalhando em M&A na Faria Lima. Não tem vida pessoal. Tudo se resume ao trabalho e ele está disposto a pagar qualquer preço para agradar os chefes e virar sócio o mais rápido possível. Acompanhamos seu dia a dia, as batalhas para cumprir os prazos e impressionar os chefes. O desafio é permanecer vivo. Na segunda parte, ele se revolta contra o sistema, desenvolve uma teoria que ridiculariza a vida dedicada apenas ao trabalho. Isso vira um show de comédia, mas o sucesso o torna refém da mesma máquina de moer gente. Não tem como vencer o capitalismo, bicho.

Gostei mais da primeira parte. Na segunda parte, o ritmo cai e há algumas dificuldades de conexão. O estilo do autor me lembrou Rubem Fonseca, com a narração acompanhando as desventuras do herói, suas hesitações e pequenas vitórias. Eu me diverti muito com a exaltação de Julio Iglesias - quem sabe ele é o maior ser humano vivo?

Frase marcada

“E não havia gordos, a não ser gordos tão ricos que tornavam irrelevante o que as pessoas daquele lugar qualificariam de imperdoável desleixo”

posição 175 · uma de 22 frases marcadas neste livro
Todas as frases marcadas
  1. Quando criei o Medianismo anos depois, lembro de contar sobre essa patética cena da masturbação adormecida e fechar o raciocínio afirmando que o capitalismo sequestrava a libido e ainda desapropriava os nossos corposposição 278
  2. Às quatro da manhã, quando me levantei da cadeira, olhei ao redor e observei todo o silêncio que me cercava e alguns poucos monitores com protetores de tela ligados lá longe. Eu estava sozinho e era o cara mais feliz do mundo.posição 377
  3. Nesse momento lembrei de quando inventaram a máquina de lavar e finalmente libertaram as mulheres da escravidão do tanque para que elas se dedicassem apenas a preparar o café, a cozinhar o almoço e o jantar, a cuidar dos filhos, a varrer a casa, a encerar o piso, a passar e guardar as roupas, a fazer as compras, a limpar os banheiros e as vidraças e a fazer sexo com o marido no final do dia. Eu estava nessa parte do sexo, Denise estava comendo o meu cu.posição 884
  4. um pobre advogado que trabalha com fusões e aquisições só deseja mandar tudo para o espaço, e, na impossibilidade de fazer isso, tem de se contentar em apenas engolir todas as frustrações, abrir o melhor sorriso e alimentar um câncer.posição 1073
  5. todo mundo sabe pra que serve uma bandeja de prata reluzente em um banheiro de escritório no bairro do Itaimposição 102
  6. Como todo jovem adulto de família bem de vida, eu imaginava que o meu futuro já estava lá e eu nem precisava esticar os braços para pegarposição 130
  7. Como ele dizia, o melhor a fazer em São Paulo é se enfiar no primeiro prédio neoclássico que você encontrar: é um monstrengo a menos que você vai ver quando abrir a janela.posição 169
  8. E não havia gordos, a não ser gordos tão ricos que tornavam irrelevante o que as pessoas daquele lugar qualificariam de imperdoável desleixoposição 175
  9. Alguns sócios minoritários são mais sócios do que outrosposição 335
  10. Virei um punheteiro de escritório, algo que a princípio me causava repulsa.posição 540
  11. Tirando a hora do almoço, quando me juntava a Reggie para me inteirar das fofocas do trabalho e falar bobagens, e quando ia para casa, ocasião que aproveitava para dormir, eu estava sempre trabalhando.posição 732
  12. Cocei o queixo como se estivesse sem saber se assava um frango ou operava as amídalas.posição 797
  13. (Depois do terceiro martíni, tudo pode acontecer com a força e a aleatoriedade de um Big Bang. Nasceram planetas, galáxias e buracos negros daquela vez, mas poderia ter surgido qualquer coisa.)posição 977
  14. Um dia todos seremos cornos, mas na Lennox, Székely & Königsberg Advogados esse dia chegava mais rápido.posição 1017
  15. Cagar na minha situação era como parir um velocípede.posição 1092
  16. Mas, como eu falei lá atrás: a vida, bicho, é uma doideira.posição 1303
  17. Sem saber onde pôr as mãos, que palavras dizer, que tipo de rosto usar, duas pessoas não sabendo vestir a própria pele.posição 1439
  18. Minha primeira experiência não havia sido ruim, organolepticamente falando.posição 1488
  19. Eu estava lambendo o fundo da taça de sorvete da minha vida.posição 1850
  20. O problema era que o pó que eu tinha em casa era apenas o que descansava em cima dos móveis.posição 2718
  21. Eu era eu e já não sou mais? Ou não era e agora sou?posição 2868
  22. e me estenderia um calhamaço de folhas impressas com letras pequenas como pulgas com serras elétricasposição 2963
Lido junto com
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