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3/2026

Trópico de Câncer

Henry Miller · EUA · @editorarecord, joseolympio

Período
19 abr 2025 – 26 jan 2026
283 dias
Tempo de leitura
7h39
cerca de 2 min por dia
Páginas
271
físico
Ritmo
35 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
3 de 5

Esse livro é considerado uma obra-prima de Henry Miller. Foi escrito nos anos 1930, mas levou 30 anos para ser publicado nos Estados Unidos. Causou polêmica pela temática sexual. Resolvi ler Trópico de Câncer depois de assistir ao filme After Hours, filme de Scorsese. O livro aparece em uma cena, e é descrito assim: "Isto não é um livro. Isto é um xingamento prolongado. Uma cuspida na cara da arte." Fiquei curioso!

Foi uma leitura de vários meses, intercalada com outros livros. É um relato em primeira pessoa da época em que Miller viveu em Paris, tentando se achar no mundo. Seria uma autobiografia ficcional? Narra episódios dos seus dias como jornalista, professor e fazendo bicos aqui e ali, convivendo com outros artistas marginais, sem grana até para comer. Um dos temas é a diferença entre EUA e Europa. Outro frequente é a relação com as mulheres, ou "putas", como ele escreve frequentemente. Seria cancelado por essas e outras.

Não curti muito a leitura. Vai ver não era o momento para eu ler esse livro. Ou vai ver eu não gosto mesmo dessa literatura marginal.

Frase marcada

“Quem, com um olhar faminto e desesperado, pode ter o menor respeito pelos governos, leis, códigos, princípios, ideais, totens e tabus existentes?”

p. 230 · uma de 36 frases marcadas neste livro
p. 1p. 271
Todas as frases marcadas
  1. O concerto é uma forma educada de autotorturap. 75
  2. Creio que hoje, mais do que nunca, é preciso procurar um livro, ainda que ele tenha apenas uma grande páginap. 237
  3. Os seres humanos formam uma estranha fauna e flora. De longe, parecem insignificantes; de perto, tendem a parecer feios e maldosos. Mais do que qualquer outra coisa, eles precisam ser cercados de espaço suficiente - até mais do que de tempop. 290
  4. O câncer do tempo está nos corroendo. Nossos heróis se mataram, ou estão se matando. O herói, portanto, não é o Tempo, mas a Ausência do Tempo. Temos de acertar o passo, um passo ritmado, rumo à prisão da mortep. 7
  5. Só que eu sou gentio, e os gentios sofrem de outro jeito. Sofrem sem neurose e, como diz Sylvester, quem nunca teve uma neurose não sabe o que é sofrerp. 14
  6. Em todo canto aonde vou as pessoas estão criando uma confusão. Cada um tem sua tragédia pessoal. Está no sangue agora: a infelicidade, o tédio, a aflição, o suicídio. O ambiente está cheio de problemas, frustração, futilidadep. 17
  7. A cidade brota como um enorme organismo doente, as lindas ruas são só um pouco menos repulsivas porque tiveram seu pus drenadop. 44
  8. Toda noite eu voltava para aquele lugar, atraído por determinadas ruas leprosas que só mostravam seu esplendor sinistro depois que a luz do dia tinha sumido e as putas começavam a assumir seus postosp. 45
  9. Claude tinha uma alma e uma consciência, tinha também classe, o que é ruim numa putap. 47
  10. E, embora seja muito bom saber que a mulher pensa, a última coisa que se quer na cama é literatura vinda do cadáver frio de uma putap. 50
  11. Na Europa, as pessoas se acostumam a não fazer nada. Você senta a bunda e reclama o dia inteiro. É contagiosop. 52
  12. Você não sabe como é gostosa uma mulher pervertida, como uma mudança de sêmen pode fazer uma mulher desabrocharp. 62
  13. Porra, o que eu virei? Que direito têm essas pessoas de tumultuar a minha vida, roubar meu tempo, sondar minha alma, chupar minhas ideias, querer que eu seja companhia, confidente e informante?p. 66
  14. Mas não peço para voltar aos Estados Unidos para me colocarem arreios duplos outra vez e eu fazer a mesma coisa todo dia. Não, prefiro ser um homem pobre na Europa. Porra, já que sou bem pobre, só me resta ser homemp. 71
  15. Encontrei Deus, mas Ele é insuficiente. Estou morto apenas espiritualmente. Fisicamente, estou vivo. Moralmente, sou livrep. 99
  16. - Na vida, só quero uns livros, uns sonhos e umas putasp. 103
  17. Quanto mais lê, mais desdenha. Nenhum deles é satisfatório, nenhum chegou àquele patamar de perfeição que ele se impôs. Esquecendo completamente que não escreveu nem um capítulo, fala nos escritores com complacência, como se houvesse uma prateleira de livros de sua autoria que todo mundo conhece e cujos títulos, portanto, não é preciso citarp. 127
  18. Isso só mostra que boceta não é nada, principalmente raspada. Os pentelhos é que fazem a boceta misteriosap. 133
  19. Sempre se pode aproveitar alguma coisa de um livro, mesmo que seja um livro ruim, mas querer isso de uma puta é pura perda de tempop. 134
  20. O advogado, o padre, o médico, o político, o jornalista: são os charlatões tomando o pulso do mundop. 138
  21. Aqui, cada sujeito é potencialmente um nada. Se alguém vira alguma coisa é por acaso, é milagre. As chances são de mil para um de você sair de seu rincão natalp. 142
  22. Refiro-me, naturalmente, ao mundo característico das grandes cidades, o mundo de homens e mulheres espremidos até a última gota pela máquina, os mártires do progresso moderno. É nessa massa de ossos e botões de colarinho que o pintor acha tão difícil insuflar vidap. 152
  23. Pode-se viver sem amigos, como pode-se viver sem amor ou até sem dinheiro, aquele suposto sine qua non. Pode-se viver em Paris (descobri isso!) só de tristeza e angústia. Um alimento amargo, mas que para determinadas pessoas talvez seja o melhor que existep. 168
  24. Gostava de dançar, de bons vinhos e mulheres. Era perdoável que gostasse também de Byron e Victor Hugo; saíra da faculdade há pouco, portanto estava com bastante tempo pela frente para se curar de tais preferênciasp. 179
  25. Ele gostava de coisas simples: comida, bebida, mulheres e livrosp. 184
  26. Para ele, não havia espaço entre a realidade e as ideias. Quando chegamos ao bordel do Quai Voltaire, ele se jogou no divã, pediu mulheres e bebidas e continuou remando rio acima com Kurtzp. 187
  27. Os Estados Unidos não existem. É um nome que se dá para uma ideia abstratap. 191
  28. Tout Va Bien! Esse é o refrão que alimenta os desconsolados mendigos que andam a noite inteira para cima e para baixo sob o chuvisco dos raios ultravioletasp. 222
  29. Mesmo assim, não consigo tirar da cabeça a discrepância que existe entre pensamento e vida. Uma desarticulação permanente, embora tentemos encobrir ambas com um toldo lustroso. E não adianta. As ideias têm que combinar com a ação: se não há sexo, se não há vitalidade nelas, não há ação. As ideias não podem existir sozinhas no vácuo da mente. As ideias estão relacionadas com a vida: ideias hepáticas, ideias renais, ideias intestinais etc. Se fosse apenas por amor a uma ideia, Copérnico teria esmagado o macrocosmo existente e Colombo teria naufragado no mar dos Sargaços. A estética da ideia cria vasos de flores e vasos de flores você põe no parapeito da janela. Mas se não há chuva nem Sol, o que adianta pôr os vasos de flores na janela?p. 224
  30. Se, de vez em quando, encontramos páginas que explodem, páginas que ferem e queimam, que arrancam gemidos, lágrimas e pragas, sabemos que elas vêm de um homem encurralado, cujas únicas defesas são as palavras, e suas palavras são sempre mais fortes que o peso esmagador e falso do mundo, mais fortes do que todos os flagelos e rodas de tortura que os covardes inventam para esmagar o milagre da personalidadep. 229
  31. Quem, com um olhar faminto e desesperado, pode ter o menor respeito pelos governos, leis, códigos, princípios, ideais, totens e tabus existentes?p. 230
  32. Hoje, orgulho-me de dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que não tenho nada a ver com crenças e princípiosp. 234
  33. Ao lado da espécie humana, há outra raça, a dos inumanos, a raça de artistas que, espicaçados por impulsos desconhecidos, tomam a massa sem vida da humanidade e, com a febre e a agitação que a impregnam, transformam essa massa úmida em pão e o pão em vinho e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagiap. 235
  34. Na rua, a gente encontra todo tipo de loucura e o padre não chega a ser mais impressionante. Dois mil anos fizeram com quem a idiotice daquilo ficasse amortecida para nósp. 240
  35. Porra, temos nossos defeitos, mas temos ânimo. É melhor errar do que não fazer nada. Melhor ser um vagabundo nos Estados Unidos a ficar sentado aquip. 280
  36. Aqui, onde o rio corre gentilmente pelo cinturão de colinas, tem uma terra tão cheia de passado que, por mais para trás que se pense, nunca se pode separá-la de seu passado humanop. 290
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