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Rashômon e outros contos

Ryūnosuke Akutagawa · Japão · @editorahedra

Período
6 jan – 26 jan
21 dias
Tempo de leitura
4h12
cerca de 12 min por dia
Páginas
198
físico
Ritmo
47 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

Akutagawa é um dos maiores escritores da literatura japonesa. Uma das tradutoras diz que ele era um "intelectual esteta", preocupado com o aspecto formal. Seus contos são curtos e precisos. Ficou conhecido com o "pai do conto japonês".

Esse livro reúne 10 contos de Akutagawa, muitos dos quais tratam de questões morais. Mas ele não é um moralista, no sentido de oferecer lições ou tomar partido. O tema surge como uma forma de expor como a moral humana é frágil e ambígua.

Meus contos favoritos: Rashômon, Dentro do bosque, Devoção à literatura popular e A vida de um idiota. Durante a leitura, eu assisti ao filme Rashômon, de Akira Kurosawa. Curiosamente, o filme é uma adaptação do conto Dentro do bosque, tomando emprestado só o título de outro conto. Com a fama do filme, a expressão "Efeito Rashômon" passou a designar o fenômeno pelo qual diferentes pessoas relatam versões contraditórias de um mesmo fato.

Rashômon: um servo encontra uma velha que rouba cabelo de cadáveres em Rashômon, um portão de Kyoto. Surge o dilema moral daquela atitude.

Dentro do bosque: a morte de um samurai é contada de forma diferente por quatro pessoas. É impossível saber qual a verdadeira.

Devoção à literatura popular: um escritor tem um bloqueio criativo e questiona a avaliação de sua obra.

A vida de um idiota: um resumo da vida do próprio Akutagawa. Ele se suicidou, e essa informação faz com que a leitura seja desconfortável.

Frase marcada

“Tomado de sessenta por cento de terror e quarenta de curiosidade, o servo, por alguns instantes, até se esqueceu de respirar" (Rashômon, 29)”

· uma de 16 frases marcadas neste livro
Todas as frases marcadas
  1. O que é mais precioso no mundo condensa-se no interior de um instante insubstituível de emoção" (O mártir, 83)
  2. Escreveu o autor anteriormente: "Um servo de baixa condição esperava a chuva passar." Entretanto, mesmo que a chuva passasse, o servo não teria, na verdade, nada a fazer" (Rashômon, 26)
  3. Quando se tenta resolver uma questão insolúvel, não há tempo para escolher os meios" (Rashômon, 27)
  4. Tomado de sessenta por cento de terror e quarenta de curiosidade, o servo, por alguns instantes, até se esqueceu de respirar" (Rashômon, 29)
  5. O servo não compreendia por que a velha arrancava os cabelos dos cadáveres. Por conseguinte, não tinha condições de julgar segundo a razão a moralidade daquele ato" (Rashômon, 30)
  6. A diferença é que, quando eu mato, uso a espada que trago à cintura, mas vocês, não. Vocês não se utilizam da espada, matam apenas com o seu poder, matam com o seu ouro. Às vezes matam somente com palavras, a pretexto de o fazerem para o próprio bem deles. É verdade que não corre sangue, que os homens continuam vivendo, mas, mesmo assim, vocês os mataram" (Dentro do bosque, 39)
  7. Senti um pouco de compaixão por ela, mas não podia permitir que sentimentos pessoais interferissem no interesse geral e lhe disse que, por mais razões que me apresentasse, se não renegasse sua fé, não poderia socorrer sua filha" (Memorando "Ryôsai Ogata", 54)
  8. O que fulgurava no fundo de seus olhos não era somente a alma inocente de uma donzela, era também a alma de toda a espécie humana, os "degradados filhos de Eva"." (Ogin, 67)
  9. Doente em viagem Peregrinam sonhos meus Por uma terra morta" (Terra morta, 90)
  10. Eles, os discípulos, longe de lamentar a morte do mestre, lamentavam, sim, a si mesmos, que o perderiam; longe de prantear a morte de seu guia completamente desamparado em meio a uma terra morta, eles choravam, sim, a si próprios, que perderiam o guia ao entardecer" (Terra morta, 98)
  11. - Não, ainda que os censores desapareçam, pessoas como eles haverão de existir em qualquer época. Se acharmos que só no passado se queimavam livros e se enterravam vivos os estudiosos confucionistas, estaremos completamente enganados" (Devoção à literatura popular, 133)
  12. O advento da inspiração não difere em nada do fogo. Se não souber mantê-lo, mesmo já aceso, logo acaba por se apagar de novo..." (Devoção à literatura popular, 140)
  13. Por definição, os professores sempre têm vontade de ensinar outras coisas além das matérias do programa escolar. Ética, gostos pessoais, concepções de vida... Pouco importa o quê. Numa palavra, mais que livros didáticos ou quadros-negros, o que os professores aspiram ensinar são coisas que lhes digam respeito intimamente" (Passagens do caderno de notas de Yasukichi, 165)
  14. Para que será que ele veio ao mundo? A este mundo cheio de sofrimentos... Por que padecer o destino de ter um pai como eu?" (A vida de um idiota, 184)
  15. A infelicidade de um homem que vive num mundo vulgar encontra-se justamente no fato de que, perturbado pela vulgaridade, ele próprio também seja obrigado a tomar atitudes vulgares" (Devoção à literatura popular, 125)
  16. Mas, para o orgulhoso Bakin, o mais insuportável de tudo era que sua modéstia fosse tomada ao pé da letra" (Devoção à literatura popular, 109)
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