Osamu Dazai · Japão · @estliberdade
Um homem desajustado, que não encontra sentido na vida. Esse é o relato em primeira pessoa de Oba Yozo, narrador da parte principal do livro. Mas poderia servir também para o próprio autor, Osamu Dazai, que se mantou um mês antes da publicação do livro, em 1948. Alguns trechos parecem autobiográficos - há uma descrição de tentativa de suicídio que corresponde ao que aconteceu com Dazai. Uma pessoa muito perturbada, que não consegue se relacionar e se sente fingindo todo o tempo. Apesar do tema melancólico, a leitura é agradável. Flui em um ritmo lento. Gostei da passagem em que Yozo cria um jogo para adivinhar se os substantivos são trágicos ou cômicos.
“Algumas pessoas têm um pavor tão mórbido dos demais seres humanos que acabam desejando ver com os próprios olhos aparições cada vez mais monstruosas”
p. 47 · uma de 8 frases marcadas neste livro
Contudo, se essas pessoas não se suicidam, não enlouquecem, se discutem sobre partidos políticos, se não perdem as esperanças e seguem lutando sem se curvar, então não estão sofrendo, certo?p. 22
O que não consigo compreender são as pessoas que, enquanto se enganam mutuamente, vivem com pureza, alegria e serenidade - ou que acreditam poder viver assimp. 32
'Apaixonar-se por alguém', 'alguém se apaixonar por você', considero essas expressões extremamente vulgares, risíveis e melosasp. 42
Algumas pessoas têm um pavor tão mórbido dos demais seres humanos que acabam desejando ver com os próprios olhos aparições cada vez mais monstruosasp. 47
Com o tempo, aprendi que bebidas, cigarros e prostitutas eram os instrumentos de que dispunha, ainda que de forma temporária, para dissipar meu pavor dos seres humanosp. 55
Mas sinto como se eu fosse um pária desde o momento em que nascip. 58
Perdoar ou não perdoar: um marido que possui esse direito é um homem felizp. 127
Há tanta gente infeliz neste mundo. Dizer que só há gente infeliz não seria exagerop. 132