Caetano W. Galindo · Brasil · @companhiadasletras
Descreve a história da língua portuguesa brasileira (uma derivação do galego, que veio do latim). É muito bem escrito, com uma linguagem clara e direta, sem academicismo, mas com profundidade. Defende a tese de que o fator fundamental para a consolidação e uniformidade do português no Brasil foi a adoção do idioma pelos escravizados. Entendi que é mais uma hipótese (talvez um desejo?) do que algo que tenha de fato evidências disso. Eu me diverti ao perceber como a língua muda com o tempo e com as curiosidades sobre a evolução de palavras e seus sentidos (fetiche foi do português para o francês e voltou com outro significado; as palavras com interferência árabe que incorporaram o artigo definido "al": alface, aldeia, algarismo, algodão etc.).
“(...) a língua conquistadora, que se estabelece em determinado território, invariavelmente acaba aceitando elementos da língua conquistada”
p. 64 · uma de 9 frases marcadas neste livro
Com o passar do tempo, vamos montando uma história que parece coerente e que funciona bem para explicar o estado de coisas que queremos compreender hoje, nos termos que queremos ver vigorar hojep. 24
Logo, não há bases muito evidentes para argumentar que o português seja uma língua especialmente difícilp. 29
Nosso português mais fino é pouco mais que um latim atrapalhadop. 33
(...) a língua conquistadora, que se estabelece em determinado território, invariavelmente acaba aceitando elementos da língua conquistadap. 64
E o que dizer dos ditongos nasais, essa coisa ainda mais estranha e aparentemente única do nosso idioma? Só nós sabemos dizer nãop. 121
Ainda que tenham se apropriado dessa língua para seus próprios fins, com propósitos de catequização, aprisionamento e colonização, os portugueses de fato estavam empregando uma língua local, sem impor a sua de maneira imediatap. 149
Falar como as classes dominantes pode ser uma maneira de tentar suprimir a distância que nos separa delasp. 116
Apesar das adversidades, foi a língua falada por negros e mestiços que dominou o Brasil. Somos um país que fala português como fruto direto da presença negrap. 182
Temporalmente, é uma verdade constante que todo padrão de hoje foi o erro de ontem. Espacialmente, é uma verdade constante que o padrão daqui é o erro dalip. 191