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Na ponta da língua: o nosso português da cabeça aos pés

Caetano W. Galindo · Brasil · @companhiadasletras

Período
13 abr – 14 mai
32 dias
Tempo de leitura
5h23
cerca de 10 min por dia
Páginas
268
físico
Ritmo
50 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

Livro muito divertido. A pretexto de explicar as origens das palavras que descrevem nossas partes (até aquelas), Caetano Galindo nos conduz por uma viagem à história da linguagem. É muito curioso perceber como as palavras vão adquirindo significados diferentes em idiomas diferentes, evoluindo por caminhos improváveis. Ele explica que muitas expressões consagradas hoje já foram consideradas "erradas" em tempos passados. Para quem gostou do Latim em Pó, esse Na Ponta da língua é uma boa pedida. Não é uma sequência, mas vai na mesma pegada. É um ritmo de diálogo com o leitor, acho que ele encontrou o tom certo para falar do tema e atrair o interesse das outras pessoas. Como ele mesmo disse no lançamento: "A satisfação maior dos nerds: ora, as outras pessoas também se interessam por isso!"

Frase marcada

“...todas as outras formas, transformações e mais transformações a partir de bases latinas eram e foram também 'erradas' a seu tempo”

p. 101 · uma de 13 frases marcadas neste livro
p. 1p. 268
Todas as frases marcadas
  1. ...toda a língua que nós falamos está ensopada de históriap. 21
  2. ...todas as outras formas, transformações e mais transformações a partir de bases latinas eram e foram também 'erradas' a seu tempop. 101
  3. E era esse o sentido original da palavra em latim, que posteriormente migra para o nosso uso anatômico, descrevendo o lugar onde se guarda a poderosa espada do falo. O estojo onde ele se acomodap. 179
  4. Ao trabalhar com palavras, estamos sempre lidando com elementos vivos, ativos, em uso e em transformaçãop. 12
  5. ...repensar presenças e ausências no nosso vocabulário, nos nossos modos de ler e ver o mundop. 13
  6. E cada um dos 7 mil idiomas falados hoje no planeta é resultado de uma transmissão contínua: um telefone sem fio que alterou e manteve palavras, sons e sentidosp. 31
  7. ...tipo de trabalho que às vezes pode ser chato, detalhado e detalhista, mas que no fundo é empolgante pacas quando feito com o coração no lugar certo, e exposto da mesma maneirap. 41
  8. (E é isso que você pode responder a quem reclama que a perda do trema vai fazer todo mundo começar a dizer linguiça sem pronunciar o u. Primeiro, a gente aprende a falar bem antes de saber o que é trema; isso se um dia vier a ser alfabetizado. Segundo, ninguém escrevia esse trema!!)p. 74
  9. É como se, diante da irregularidade gerada por aquele rotacismo, os falantes agissem para regularizar a palavra, consagrando com o tempo o que no fundo era um erro de interpretaçãop. 77
  10. Os idiomas humanos estão sempre em movimento, numa tensão perene entre forças de regularização e aquelas outras que fazem surgir pequenas ou grandes anomaliasp. 78
  11. É uma imensa viagem. Uma palavra que pode ter surgido no Sudeste da Ásia, emprestada por uma língua dravídica, passada então ao sânscrito, que a empresta ao árabe, que leva à Europa, de onde ela ganha o mundo!p. 154
  12. A história das palavras também pode ser ação, nos permitindo enxergar as filigranas de decisões textuais e discursivas que, muitas vezes, continuam pautando nosso mundo até hojep. 161
  13. As palavras entram no idioma sem pedir licença, e é sem pedir licença que os falantes começam a empregar um termo novo e o transformam em parte integrante do idioma, e essa realidade é determinada apenas por um contínuo empurra-empurra entre forças, espaços e vontades diferentesp. 239
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