Milan Kundera · República Tcheca · @companhiadasletras
Último romance publicado por Milan Kundera. Li A insustentável leveza do ser e fiquei fascinado. Aproveitei uma promoção e comprei outros livros do autor. Esta foi a segunda obra que li dele. Gostei muito da parte inicial, depois fiquei um pouco confuso. Não sei se consegui entender todas as referências e camadas do livro. O estilo é muito próprio, com o narrador praticamente conversando com o leitor e expondo as entranhas da obra, falando abertamente das técnicas de exposição dos personagens e construção da narrativa. O livro é dividido em capítulos bem curtos e em partes que pretendem contar um aspecto da história. Gostei muito de comentários existenciais e considerações sobre as relações das pessoas e como vemos o mundo. Algumas sacadas são geniais, como o comentário de que homens com assuntos insignificantes são mais atraentes porque não geram uma responsabilidade de manrter o mesmo nível de interesse. Lá pelas tantas surgem personagens históricos como Stálin, Kalinin e Khrushchov, e foi nessa parte que eu não saquei inteiramente as referências. Mas me diverti lendo o livro, é uma leitura rápida e recomendo. Vamos para outros Kundera.
“Você não pode se enganar sobre a bunda de quem ama. Você reconhecerá a bunda amada no meio de uma centena de outras”
p. 124 · uma de 6 frases marcadas neste livro
O silêncio chama atenção. Pode impressionar. Te tornar enigmáticop. 22
Mas que inutilidade. Nocividade. Quando um sujeito brilhante tenta seduzir uma mulher, ela acha que tem de entrar em competição. Também se sente obrigada a brilhar. A não se entregar sem resistência. Ao passo que a insignificância a libera. A liberta das precauções. Não exige nenhuma presença de espírito. A torna despreocupada e, portanto, mais acessívelp. 23
No meu vocabulário de ateu, uma única palavra é sagrada: a amizadep. 30
Se sentir ou não se sentir culpado. Acho que tudo depende disso. vida é uma luta de todos contra todos. É sabido. Mas como essa luta acontece numa sociedade mais ou menos civilizada? As pessoas não podem se atirar umas sobre as outras sempre que se encontram. Em vez disso, tentam jogar no outro o constrangimento da culpabilidade. Ganhará aquele que conseguir tornar o outro culpado. Perderá aquele que reconhecer sua culpap. 54
Você não pode se enganar sobre a bunda de quem ama. Você reconhecerá a bunda amada no meio de uma centena de outrasp. 124
A insignificância, meu amigo, é a essência da existênciap. 132