Raul Andreucci, Túlio Kruse · Brasil · @dolores_editora
O livro reúne uma série de reportagens sobre o futebol no Amazonas, escritas a propósito da Copa do Mundo de 2014. Mostra como as exigências extraordinárias da FIFA causaram grandes estragos para o meio-ambiente. Aproveitei uma viagem para o Amazonas e li o livro lá, o que fez a leitura especial porque passei em frente à Arena e vi muitas camisas de times do Rio - mas nenhuma local. Gostei de saber a história de Severiano Porto, arquiteto do Vivaldão, estádio que foi derrubado para a construção da Arena da Amazônia. Os capítulos que eu mais gostei foram sobre os times amazonenses e retratando a realidade do Campeonato Estadual. A capa é muito bonita, e faz uma alusão ao Holanda, time amazonense cujo nome foi escolhido, segundo os autores, apenas por uma questão burocrática (já existia um registro inativo de um clube amador com esse nome).
“(...) apenas 0,5% da população da capital torce por algum time da terra. Estamos falando de um universo de aproximadamente 10 mil pessoas" (88).”
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Cinco toneladas e meia de aço estão nas bases profundas da Arena da Amazônica, em compridos vergalhões debaixo do concreto armado das arquibancadas, nos pilares e nas grades. O carvão que abasteceu siderúrgicas e chegou ao estádio na forma deste aço nasceu justamente nas bordas desmatadas da Amazônia, no sertão do Goiás e em terrenos devastados ao longo do Cerrado brasileiro. Muito mais do que o verde, o cinza
A maior floresta do mundo parece mesmo não ter nada a ver com futebol (...). E continuamos, a maioria, sem (querer) enxergar o óbvio: o elefante branco no meio da selva amazônica. Ou os vários elefantes, espalhados por nossa terra. Uma selva. A selva do futebolp. 86
(...) apenas 0,5% da população da capital torce por algum time da terra. Estamos falando de um universo de aproximadamente 10 mil pessoas" (88).