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37/2022

Maracanã: quando a cidade era terreiro

Luiz Antonio Simas · Brasil · @morula_editorial

Período
26 out – 27 out
2 dias
Tempo de leitura
4h29
cerca de 135 min por dia
Páginas
224
físico
Ritmo
50 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

A propósito de contar a história do Maracanã, este livro fala sobre o Brasil e o Rio de Janeiro. Mais do que isso, sobre o brasileiro e o carioca. É muito bem escrito e interessa mesmo aos que não são apaixonados por futebol. Gostei especialmente dos capítulos em que ele conta as histórias dos torcedores dos principais clubes do Rio e narra as memórias afetivas das pessoas com o estádio. Algumas curiosidades que descobri na leitura: a Áustria jogou um jogo da Copa de 1934 com o uniforme do Napoli; Oscar Niemeyer fez um projeto para o Maracanã; durante 15 anos, o estádio foi conhecido como Municipal; Maraca é o nome de um papagaio; havia um hábito de soltar balões antes do jogos. O livro fala do jogo de 1950, e observa que a tragédia foi se formando depois. Tudo é narrativa, afinal. E essa é uma literatura de altíssima qualidade.

Frase marcada

“O Maracanã, monumento da grandeza possível da nação brasileira, nascia como um signo possível do seu inverso: e se o país estivesse fadado ao fracasso?”

p. 94 · uma de 9 frases marcadas neste livro
p. 1p. 224
Todas as frases marcadas
  1. No Brasil, o futebol ocupou um lugar de centralidade na produção da identidade nacional e na invenção daquilo que caracterizaria um projetado 'ser brasileiro'p. 16
  2. A quantidade de comissões envolvidas na construção do Maracanã beira o inacreditávelp. 57
  3. Começava a ser gestado ali o mito de origem do Maracanã como uma espécie de templo de um Brasil que se afirmava como um país cordial e realizador; a prova em concreto do mito da democracia racial brasileira e da mestiçagem como a solução para a questão da identidade nacionalp. 82
  4. As primeiras reações da imprensa ressaltaram o bom jogo dos uruguaios, lamentando a derrota brasileira. Aos poucos, porém, o imaginário da tragédia foi sendo alimentadop. 93
  5. O Maracanã, monumento da grandeza possível da nação brasileira, nascia como um signo possível do seu inverso: e se o país estivesse fadado ao fracasso?p. 94
  6. Diante da imensidão do estádio, o torcedor reelabora as maneiras de interagir com o que está acontecendo no gramadop. 101
  7. Na perspectiva de compreender as dimensões materiais e simbólicas do lugar a partir da sua apropriação e do seu uso, por este conjunto de modos de sentir e viver o estádio, misturando performances coletivas e anseios individuais, podemos lançar a ideia de que conceitualmente o Maracanã é um grande terreiro que a cidade do Rio de Janeiro inventoup. 107
  8. Eles, os jogos e os personagens, acabam também contando a história do estádio e dos modos como a cidade o praticou. É a dança dos deuses, afinal, que faz o terreirop. 109
  9. Nossas maneiras de jogar bola e assistir aos jogos dizem muito sobre as contradições, violências, alegrias, tragédias, festas e dores que nos constituíram como povop. 187
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