Eça de Queirós · Portugal · @novafronteira, lepmeditores
Vi uma referência a esse livro numa palestra do Luís Roberto Barroso - depois descobri que ele citou trechos em várias outras obras. Tinha comprado um exemplar físico da Nova Fronteira, mas o formato de bolso não me animou e resolvi ler no Kindle, numa edição da L&PM. Esta segunda tem inacreditáveis 813 notas de rodapé e isso me irritou na leitura, porque tinha explicação para todas as expressões, nomes, lugares. Depois, descobri que a edição da Nova Fronteira tem mais algumas cartas, que foram publicadas postumamente em um livro chamado "Cartas inéditas de Fradique Mendes e mais páginas esquecidas". A parte inicial do livro, que narra a história de vida do fictício Fradique Mendes ("o português mais interessante e mais sugestivo do século XIX"), é maçante. Mas as cartas são ótimas. É o estilo do realismo de Eça de Queirós, com críticas ácidas à sociedade portuguesa. Destaco as cartas sobre Pacheco e Pinho, a carta para a "Madame S.", a carta para Ramalho Ortigão e a carta sobre o Brasil (essa é das inéditas, não está no volume original).
“Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro”
posição 2051 · uma de 5 frases marcadas neste livro
E Carlos foi para Paris estudar Direito nas cervejarias que cercam a Sorbonneposição 306
Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra; todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.posição 2035
Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiroposição 2051
Juízos ligeiros, vaidade, intolerância – eis três negros pecados sociais que, moralmente, matam uma sociedade!posição 3205
Que outro princípio governa e mantém a minha vida senão o teu amor?posição 3352