John Berger · Reino Unido · @fosforoeditora
São ensaios sobre a arte, publicidade e nossa relação com as imagens. Pelo que eu entendi, o autor está fora do establishment dos críticos. Gostei das considerações sobre as origens das pinturas e o impacto do surgimento da reprodução fotográfica. O ensaio sobre o papel da mulher é instigante. Ele sustenta que sempre existiu uma diferença da presença social do homem e da mulher. Homens agem e mulheres atuam, resume. E isso seria determinante para a relação das mulheres consigo mesmas. O ensaio sustenta essa tese com telas de mulheres, com a análise do nu. Não me parece uma visão machista, talvez até o contrário. Ele conclui assim: "As mulheres são representadas de modo muito diverso do dos homens - não porque o feminino seja diverso do masculino, e sim porque se supõe que o espectador ideal seja um macho, como sempre, e que a imagem da mulher se destina a lisonjeá-lo". O livro termina com um "A ser continuado pelo leitor....". Vou aceitar a provocação. Considerando que foi escrito nos anos 1970, adaptado de uma série da BBC, não considera os eventos mais modernos. As considerações sobre uma tela acho que ajudam a explicar também o valor dos NFT: "Antes de mais nada, são objetos que se pode comprar e possuir. Objetos únicos em sua espécie. Um benfeitor das artes não podia se cercar de música e poesia do mesmo modo como se cercava de quadros" (99). E o paralelo entre pintura a óleo/publicidade acho que hoje se aplicaria às redes sociais: "O glamour é a felicidade de ser invejado. Ser invejado é uma forma solitária de afirmação. Impõe como uma condição não partilharmos a nossa experiência com aqueles que nos invejam. Somos observados com interesse, mas não observamos com interesse - se o fizermos, nós nos tornaremos menos invejáveis" (151).
“Como sua existência singular é definida e valorada na cultura do nosso tempo? Ela é definida como um objeto cujo valor depende de sua raridade”
p. 32 · uma de 14 frases marcadas neste livro
O diálogo, com frequência, é uma tentativa de verbalizar isso - uma tentativa de explicar, seja metafórica, seja literalmente, como vemos as coisas, uma tentativa de descobrir como se veem as coisasp. 18
...o significado primário não está mais naquilo que a pintura diz, mas naquilo que ela ép. 31
A pintura conserva sua própria força de convencimentop. 39
Como sua existência singular é definida e valorada na cultura do nosso tempo? Ela é definida como um objeto cujo valor depende de sua raridadep. 32
Ela precisa examinar todo o seu ser e todos os seus atos, pois o que ela aparenta para os outros e, em última instância, para os homens é crucial para o que normalmente é tida como uma vida bem-sucedidap. 57
Homens olham para mulheres; mulheres observam a si mesmas sendo olhadasp. 58
A arte de qualquer período tende a servir aos interesses ideológicos da classe dominantep. 100
Ser objeto de inveja, é isso o glamour. A publicidade é o processo de fabricação do glamourp. 149
A arte é um signo de riqueza material; ela está associada à doce vida; é parte do suprimento que o mundo concede aos belos e aos ricosp. 153
A fotografia em cores está para o espectador-consumidor assim como a pintura a óleo estava para o espectador-proprietáriop. 160
Poder gastar dinheiro é poder viverp. 163
A publicidade constitui uma espécie de sistema filosófico. Explica tudo nos termos dela. Interpreta o mundop. 169
Antes de mais nada, são objetos que se pode comprar e possuir. Objetos únicos em sua espécie. Um benfeitor das artes não podia se cercar de música e poesia do mesmo modo como se cercava de quadrosp. 99
O glamour é a felicidade de ser invejado. Ser invejado é uma forma solitária de afirmação. Impõe como uma condição não partilharmos a nossa experiência com aqueles que nos invejam. Somos observados com interesse, mas não observamos com interesse - se o fizermos, nós nos tornaremos menos invejáveisp. 151