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Modos de ver

John Berger · Reino Unido · @fosforoeditora

Período
21 fev – 2 mar
10 dias
Tempo de leitura
2h04
cerca de 12 min por dia
Páginas
183
físico
Ritmo
89 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

São ensaios sobre a arte, publicidade e nossa relação com as imagens. Pelo que eu entendi, o autor está fora do establishment dos críticos. Gostei das considerações sobre as origens das pinturas e o impacto do surgimento da reprodução fotográfica. O ensaio sobre o papel da mulher é instigante. Ele sustenta que sempre existiu uma diferença da presença social do homem e da mulher. Homens agem e mulheres atuam, resume. E isso seria determinante para a relação das mulheres consigo mesmas. O ensaio sustenta essa tese com telas de mulheres, com a análise do nu. Não me parece uma visão machista, talvez até o contrário. Ele conclui assim: "As mulheres são representadas de modo muito diverso do dos homens - não porque o feminino seja diverso do masculino, e sim porque se supõe que o espectador ideal seja um macho, como sempre, e que a imagem da mulher se destina a lisonjeá-lo". O livro termina com um "A ser continuado pelo leitor....". Vou aceitar a provocação. Considerando que foi escrito nos anos 1970, adaptado de uma série da BBC, não considera os eventos mais modernos. As considerações sobre uma tela acho que ajudam a explicar também o valor dos NFT: "Antes de mais nada, são objetos que se pode comprar e possuir. Objetos únicos em sua espécie. Um benfeitor das artes não podia se cercar de música e poesia do mesmo modo como se cercava de quadros" (99). E o paralelo entre pintura a óleo/publicidade acho que hoje se aplicaria às redes sociais: "O glamour é a felicidade de ser invejado. Ser invejado é uma forma solitária de afirmação. Impõe como uma condição não partilharmos a nossa experiência com aqueles que nos invejam. Somos observados com interesse, mas não observamos com interesse - se o fizermos, nós nos tornaremos menos invejáveis" (151).

Frase marcada

“Como sua existência singular é definida e valorada na cultura do nosso tempo? Ela é definida como um objeto cujo valor depende de sua raridade”

p. 32 · uma de 14 frases marcadas neste livro
p. 1p. 183
Todas as frases marcadas
  1. O diálogo, com frequência, é uma tentativa de verbalizar isso - uma tentativa de explicar, seja metafórica, seja literalmente, como vemos as coisas, uma tentativa de descobrir como se veem as coisasp. 18
  2. ...o significado primário não está mais naquilo que a pintura diz, mas naquilo que ela ép. 31
  3. A pintura conserva sua própria força de convencimentop. 39
  4. Como sua existência singular é definida e valorada na cultura do nosso tempo? Ela é definida como um objeto cujo valor depende de sua raridadep. 32
  5. Ela precisa examinar todo o seu ser e todos os seus atos, pois o que ela aparenta para os outros e, em última instância, para os homens é crucial para o que normalmente é tida como uma vida bem-sucedidap. 57
  6. Homens olham para mulheres; mulheres observam a si mesmas sendo olhadasp. 58
  7. A arte de qualquer período tende a servir aos interesses ideológicos da classe dominantep. 100
  8. Ser objeto de inveja, é isso o glamour. A publicidade é o processo de fabricação do glamourp. 149
  9. A arte é um signo de riqueza material; ela está associada à doce vida; é parte do suprimento que o mundo concede aos belos e aos ricosp. 153
  10. A fotografia em cores está para o espectador-consumidor assim como a pintura a óleo estava para o espectador-proprietáriop. 160
  11. Poder gastar dinheiro é poder viverp. 163
  12. A publicidade constitui uma espécie de sistema filosófico. Explica tudo nos termos dela. Interpreta o mundop. 169
  13. Antes de mais nada, são objetos que se pode comprar e possuir. Objetos únicos em sua espécie. Um benfeitor das artes não podia se cercar de música e poesia do mesmo modo como se cercava de quadrosp. 99
  14. O glamour é a felicidade de ser invejado. Ser invejado é uma forma solitária de afirmação. Impõe como uma condição não partilharmos a nossa experiência com aqueles que nos invejam. Somos observados com interesse, mas não observamos com interesse - se o fizermos, nós nos tornaremos menos invejáveisp. 151
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