Édouard Louis · França · @todavialivros
Tenho uma má vontade com hype. Vi alguns trechos da entrevista do Edouard Louis ao Roda Viva, e fiquei com vontade de finalmente ler algo dele. Esse livro é uma reflexão sobre o pai dele, um sujeito da classe trabalhadora francesa. Uma tentativa de compreensão, aceitação e de comunicação. Há vários relatos de distanciamento entre os dois, da rejeição ao fato do filho ser homossexual, o afastamento cultural que vai aumentando. Mas também alguns episódios muito bonitos de carinho do pai pelos filhos. Edouard Louis questiona: por que você nunca disse que me amava? Foi o que ficou desse livro para mim, mais do que o discurso político do final: como é difícil dizer exatamente o que sentimos. Gostei, mas não amei.
“Entre aqueles que têm de tudo, nunca vi uma família ir à praia comemorar uma decisão política, porque a política não os afeta em quase nada”
posição 428 · uma de 27 frases marcadas neste livro
Será que não é preciso repetir até que nos ouçam? Para forçá-los a nos ouvir? Será que não é preciso gritar?posição 91
Você mudou da noite para o dia, um dos meus amigos diz que são os filhos que transformam os pais, não o contrárioposição 471
...o pai está privado da possibilidade de contar sua própria vida e o filho queria uma resposta que jamais obteráposição 22
…política é a distinção entre populações com a vida sustentada, encorajada, protegida, e populações expostas à morte, à perseguição, ao assassinatoposição 27
Eu via você lutando com seu corpo, mas tentava fingir que não estava percebendo nadaposição 37
Você não pode mais dirigir sem se colocar em perigo, não tem mais permissão para beber, não pode mais tomar banho ou ir trabalhar sem correr riscos imensos.posição 40
As mulheres são sempre mais felizes sem homemposição 51
Desde que nasci vi você desprezar todos os sinais de feminilidade em um homem, ouvi você dizer que um homem não deveria nunca se comportar como uma mulher, nuncaposição 64
Não tenho medo de me repetir, porque o que escrevo, o que eu digo, não atende às exigências da literatura, mas às da necessidade e da urgência, às do fogoposição 92
A violência só leva à violência. Repeti essa frase por muito tempo, que a violência é o que causa violência, me enganei. A violência foi o que nos salvou da violência.posição 102
…paradoxalmente significava que quanto mais pobres fôssemos, mais dinheiro gastávamos no Natal, pela aflição de não ser como os outros.posição 114
…que você finge odiar a felicidade para se convencer de que, se a sua vida parece uma vida infeliz, foi você quem a escolheu, como se quisesse se convencer de que tinha o controle da sua infelicidade, como se quisesse dar a impressão de que, se a sua vida era muito difícil, foi você quem quis assim, por abominar o prazer, por detestar a alegria.posição 117
Como sempre, foi a separação que o fez entender quanto a amavaposição 152
Ser homem — não se comportar como mulherzinha, não ser viado — significava sair da escola o mais rápido possível para provar sua força aos outros, o mais rápido possível para mostrar sua insubordinaçãoposição 164
A masculinidade o condenou à pobreza, à falta de dinheiro. Ódio da homossexualidade = pobrezaposição 167
Há na linguagem quase apenas negações para contar sua vidaposição 170
Sua vida prova que não somos o que fazemos; ao contrário, somos o que não fizemos, porque o mundo, ou a sociedade, nos impediuposição 172
Estava com vergonha porque eu o confrontava com a cultura escolarposição 188
A história ensinada na escola não era a sua história. Ensinavam a história do mundo e você ficava de fora do mundoposição 189
Não sabia que você pensava tudo isso (que você me amava?). Por que nunca me disse?posição 361
Não é verdade. Sabia que amava você, mas sentia a necessidade de dizer aos outros que o detestava. Por quê? Será que é normal ter vergonha de amar?posição 364
…você nunca viveu a própria vida, viveu ao lado da sua vida, por causa de tudo isso você ficava em casa, e eles vinham, você não podia mais se mexer, seu corpo doía demaisposição 405
Entre aqueles que têm de tudo, nunca vi uma família ir à praia comemorar uma decisão política, porque a política não os afeta em quase nadaposição 428
A política não muda a vida deles, ou muda muito poucoposição 431
Para os poderosos, na maior parte do tempo a política é uma questão estética: uma forma de pensar, uma forma de ver o mundo, de construir sua persona. Para nós, significa viver ou morrerposição 432
Quero pôr seus nomes na história por vingançaposição 460
A história do seu corpo acusa a história política.posição 467