Chiara Valerio · Itália · @editora.ayine
Adorei esse livro. Uma visão muito original sobre a relação entre matemática e democracia, permeada de relatos autobiográficos. A autora é formada em Matemática e escreve muito bem - faz também considerações sobre literatura: “O leitor, como aquele que estuda Matemática ou estuda em geral, é capaz de ficar sozinho. Quem fica sozinho é politicamente complexo, porque não precisa ser entretido”.
Achei interessante a ponderação de como a vida não é apenas a biológica e como o distanciamento pode ser um risco para a democracia. Ela explica que o princípio de autoridade não se aplica à matemática. E observa a relatividade das certezas científicas (afinal, o que é “a verdade”?). Recomendo demais a leitura - comprei vários exemplares para presentear amigos.
“A linguagem nos torna não redutíveis a nossas características e informações biológicas, genéticas e tecnológicas, porque permite narrar e, narrando, criar versões”
p. 71 · uma de 5 frases marcadas neste livro
A verdade é um dos tantos modos de controle e opressãop. 14
Para compreender o mundo, era preciso ler, ler, ler também romances, porque, sem eles, não se compreendia o mundo e sem compreendê-lo, não seria possível governá-lop. 37
Pensar poder ensinar algo a alguém pressupõe uma forma de mitomaniap. 42
O primeiro erro de avaliação nas coisas somos nósp. 61
A linguagem nos torna não redutíveis a nossas características e informações biológicas, genéticas e tecnológicas, porque permite narrar e, narrando, criar versõesp. 71