Domenico Starnone · Itália · @todavia
Terceiro romance que eu li de Starnone, depois de Laços e Assombrações. A premissa é a seguinte: namorados revelam entre si segredos constrangedores. Depois, acabam o relacionamento. Mas o peso do pacto interfere nas suas vidas - principalmente na do protagonista Pietro Vella, que é limitado e constrangido por essa ameaça e não está disposto a pagar o preço de ter o segredo revelado. Gosto muito do estilo do autor, que é muito objetivo (lá no meio do livro uma das personagens diz que um livro poderia ser tolerável caso fosse breve, então acho que a extensão é uma preocupação do Starnone) e me faz refletir sobre a vida. Mais uma vez, ele adota a técnica de dar vozes a diferentes narradores. A primeira e maior parte é narrada pelo homem, mas há narrativas das mulheres que nos fazem questionar alguns dos fatos apresentados. Além dos temas mais evidentes (fidelidade, relacionamento, amor), pensei muito também sobre a velhice, vaidade, ética e a imagem que pretendemos passar aos outros - e como é diferente o que pensamos sobre nós mesmos e a imagem que os outros têm da gente.
“Quando se escreve é possível calibrar as frases; já nos diálogos cara a cara há o risco de se falar demais, de despertar o que já estava adormecido”
p. 75 · uma de 6 frases marcadas neste livro
Que complicado, um amigo me disse certa vez, se apaixonar por uma mulher que em todos os aspectos é mais viva do que nósp. 12
Quando se escreve é possível calibrar as frases; já nos diálogos cara a cara há o risco de se falar demais, de despertar o que já estava adormecidop. 75
Só que, à diferença dos outros bons, sabíamos que podíamos nos tornar maus, e o sabíamos tão bem que, por uma honestidade inata, nós mesmos nos pusemos na categoria dos maus e agora achávamos que nossa bondade era uma ficçãop. 82
(...) seu pai é tão absolutamente indispensável para mim que, para poder continuar com ele, precisei traí-lo muitíssimas vezes, segundo todas as acepções lícitas e possíveis da traiçãop. 128
Tivemos medo de que nossas más ações nos prosseguissem e se apoderassem para sempre de nósp. 146
Sempre acabamos por mostrar um pouco do pior que guardamos lá dentrop. 148