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28/2022

Lançar mundos no mundo: Caetano Veloso e o Brasil

Guilherme Wisnik · Brasil · @fosforoeditora

Período
18 ago – 22 ago
5 dias
Tempo de leitura
4h21
cerca de 52 min por dia
Páginas
205
físico
Ritmo
47 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
3 de 5

O livro faz uma análise das canções, dos álbuns e das manifestações públicas de Caetano - o que não deixa de ser também uma reflexão sobre o Brasil dos últimos 60 anos. Gostei das análises das letras e de possíveis explicações. A análise de teoria musical escapou ao meu conhecimento. Li o livro ouvindo várias músicas, e descobrindo outras. A parte final faz uma análise dos anos mais recentes e concentra o enfoque na discussão ideológica. Há claramente uma tensão da esquerda com as posições de Caetano. O autor busca interpretar as críticas de Caetano como uma espécie de desvio de rota (um exemplo disso é quando chama as críticas de Caetano a Lula de um "ataque desnecessário e descalibrado"). Terminei o livro com o sentimento de que Caetano Veloso é um extraordinário artista e um livre pensador; ou, como diz Wisnik, "um desestabilizador de consensos" e um "atravessador dos lugares-comuns". Minha admiração cresceu.

Frase marcada

“(...) a oposição do tropicalismo à bossa nova não representa uma negação real desta, mas, ao contrário, a tentativa de ser o mais fiel possível à sua essência revolucionária, violenta”

p. 52 · uma de 3 frases marcadas neste livro
p. 1p. 205
Todas as frases marcadas
  1. (...) a oposição do tropicalismo à bossa nova não representa uma negação real desta, mas, ao contrário, a tentativa de ser o mais fiel possível à sua essência revolucionária, violentap. 52
  2. Isto é, ao mesmo tempo que a política é feita de forma podre, a sociedade ('cada paisano e cada capataz') aprofunda essa podridão em seus gestos diários, fazendo jorrar sangue nos pantanais, nas cidades, nas caatingas - imagem poética que retorna hoje com força sinistra, com os incêndios criminosos nessas regiõesp. 114
  3. Essa não adesão evidente ao clima otimista com a Nova República demonstra uma sensível coerência com a postura tropicalista de não demonizar a ditadura militar como sendo algo alheio à sociedade brasileira, e não ceder, portanto, à nostalgia do Brasil nacional-popular dos anos 1950, país idílico cuja pureza teria sido maculada pelo golpe de 64p. 116
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