Eliane Brum · Brasil · @companhiadasletras
Comecei a ler esse livro logo depois de ter viajado para a Amazônia pela primeira vez. O início foi muito impactante. A narrativa é uma mistura de relato autobiográfico com uma descrição da realidade da Amazônia. Eliane Brum é uma jornalista premiada que decidiu morar em Altamira - uma cidade que, fiquei sabendo no livro, tem o tamanho da Bélgica e Grécia juntas e cujo território é superior ao de doze estados brasileiros. O livro conta como foi esse processo. É muito bem escrito e a leitura prendeu minha atenção. Os capítulos alternam entre uma espécie de diário e reportagens sobre temas como desmatamento, garimpo e o impacto de grandes obras na vida dos povos originários e dos ribeirinhos. A primeira parte do livro foi uma "porrada", uma descrição muito impactante do poder da Floresta Amazônica. Do meio para o final, a leitura se tornou mais arrastada. O discurso excessivamente panfletário me incomodou. Mas a força narrativa da primeira parte faz o livro valer a pena.
“A Amazônia salta para dentro da gente como num bote de sucuri, estrangula a espinha dorsal do nosso pensamento e nos mistura à medula do planeta”
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A Amazônia salta para dentro da gente como num bote de sucuri, estrangula a espinha dorsal do nosso pensamento e nos mistura à medula do planetaposição 60
Por mais éticos que nós, brancos, possamos ser no plano individual, a nossa condição de brancos num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existirposição 151
O banzeiro ensina que as voltas nunca são retornosposição 959
A floresta não tem espaço para diminutivos, nela mesmo o invisível é grandioso.posição 1789
A pessoa que você conhece existia, e então não existe mais. Morre-se muito em Altamira, e muito de morte matada. E a morte não é longe. É perto. E a cada dia mais perto. E mais perto. E mais.posição 3558
Sempre houve lei na Amazônia. A questão é qual lei. E quem manda na lei.posição 4128