Bruno Schulz · Polônia · @editora34
Bruno Schulz era judeu de origem polonesa - passou quase toda a vida na cidade de Drohobych, que hoje faz parte da Ucrânia. A primeira vez que ouvi falar dele foi em uma entrevista de algum escritor ao @jornalrascunho, afirmando que esse era um livro imprescindível. Logo em seguida, na biografia do Philip Roth há o relato de como Schulz morreu (e essa história foi usada por Roth em A Orgia de Praga: Bruno Schulz foi protegido por um oficial nazista, que acabou matando um judeu protegido por outro oficial. Schulz foi assassinado em retaliação. Isso foi o suficiente para despertar o meu interesse por sua literatura. Essa edição da 34 reúne o livro Lojas de canela e outros contos publicados em revistas. É imediata a comparação com Kafka, pelo estilo e temática. Mas a leitura não me agradou. Talvez não fosse o momento ou tenha faltado inspiração para captar o lirismo, e de me concentrar em frases longas e poéticas. Meus textos favoritos foram "A rua dos crocodilos" e "Tratado dos manequins (final)".
“Não existe nenhum mal em reduzir a vida a formas novas e diferentes. O assassinato não é pecado”
p. 41 · uma de 3 frases marcadas neste livro
Não existe nenhum mal em reduzir a vida a formas novas e diferentes. O assassinato não é pecadop. 41
Quem poderia saber - dizia ele - quantas são as formas de vida aleijadas, sofridas e fragmentadas, como a vida dos armários e das mesas, montados artificialmente, pregados à força, madeira crucificada, silenciosos mártires do engenho cruel dos homens? Terríveis transplantes de raças diferentes de madeira que se odeiam, fundidas numa única e infeliz personalidade...p. 52
Nem sequer os melhores estavam livres da tentação de uma degradação voluntária, de um nivelar de fronteiras e de hierarquias, da vontade de patinhar na lama rasa da comunidade, da intimidade fácil, da suja confusão. O bairro era um eldorado para os desertores da bandeira da dignidade própriap. 83