Mónica Ojeda · Equador · @autenticaeditora
Decidi explorar a literatura equatoriana quando marquei uma viagem para Guayaquil. Comecei a ler Poso Wells e descobri esse Mandíbula, um livro escrito pela Mónica Ojeda aos 30 anos. O livro foi aclamado pela crítica e ela recebeu vários prêmios. É uma história de terror-suspense que explora a relação mãe-filha, professora-aluna. Clara é uma professora atormentada por uma relação difícil com sua mãe e sofre uma experiência de abuso por duas de suas alunas. Em uma nova escola, passa a dar aula para outra dupla atormentada: Fernanda e Annelise. Essas alunas são da elite equatoriana e formam um grupo de desafios perturbadores, a partir do interesse em histórias de terror. O narrador muda várias vezes, e a cronologia dos fatos também é alterada. Não foi uma leitura prazerosa. A impressão que eu tive é de que a obra é dirigida a um público mais jovem. A trama em si não me interessou, mas fiquei incomodado também com o estilo. Algumas frases são cafonas, do tipo: "Sua mãe, recordou enquanto espantava do joelho um mosquito engordado pelo sangue alheio, costumava repreendê-la por ter escolhido uma profissão que ela considerava sua". Ou então: "Era um joelho que gritava cores uma atrás da outra. Magenta, rosa, vermelho-crepúsculo. Granada, carmesim, escarlate. O joelho de Annelise Van Isschot gritava todos os tons de sangue, mas o resto de seu corpo mantinha a compostura". Eu não gosto desse estilo que procura forçar um lirismo e abusa de figuras de linguagem, principalmente quando soa artificial.
“Anne me disse algo que eu acho que é verdade, e por isso me dá muito medo: que algum dia seremos como nossas mães.”
posição 1071 · uma de 3 frases marcadas neste livro
Anne me disse algo que eu acho que é verdade, e por isso me dá muito medo: que algum dia seremos como nossas mães.posição 1071
As mulheres não fazem a si mesmas, pensou. As mulheres são feitas pelas suas filhas e suas mães.posição 1270
todos nós dizemos coisas diferentes, dependendo de com quem falamos, e não estamos mentindo, mas cada pessoa nos faz dizer uma verdade única e alheia às muitas outras que carregamos dentro de nós.posição 2599