Antonio Di Benedetto · Argentina · @globolivros
Diego de Zama é um oficial do Reino da Espanha na América, esperando uma remoção que nunca chega e vivendo na expectativa. O livro é dividido em três partes, com cinco anos de intervalo entre elas. É considerado uma obra-prima da literatura argentina. Achei difícil para engrenar, mas anotei que a partir da p. 60, a leitura fluiu. Comecei a entender o estilo e a história narrada ficou mais interessante. Algumas passagens me lembraram GSV, especialmente do último capítulo. Nesta última parte, há a narração da história de uma tribo de índios cegos que é linda e já valeria todo o livro.
“A América não existia para ninguém, a não ser para mim; mas não existia senão em minhas necessidades, em meus desejos e em meus temores”
p. 52 · uma de 7 frases marcadas neste livro
Esta ausência de notícias de Marta, de meus filhos e de minha mãe me causou essa depressão que em mais de uma chegada de barco tive de sofrer, mas que, ao somar-se a cifra no transcorrer dos já quatorze meses de permanência, abatia-me ainda maisp. 29
ali onde as pessoas não são da universidade, se possuem alguma coisa de que se orgulhar, posição ou fazenda, decidem ignorar estudo e títulos de quem não os têmp. 50
A América não existia para ninguém, a não ser para mim; mas não existia senão em minhas necessidades, em meus desejos e em meus temoresp. 52
O passado era um caderninho de notas que se me extravioup. 154
Ninguém pode decidir as ações, as esperanças, nem a totalidade das possibilidades do outrop. 163
Cada qual podia ficar sozinho consigo mesmo. Não existiam a vergonha, a censura e a inculpação; não forma necessários os castigosp. 238
Perguntei-me, não porque vivia, mas por que havia vivido. Supus que pela espera e quis saber se ainda esperava alguma coisa. Pareceu-me que sim. Sempre se espera maisp. 242