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A trégua

Mario Benedetti · Uruguai · @editora_alfaguara

Período
2 nov – 6 nov
5 dias
Tempo de leitura
3h53
cerca de 47 min por dia
Páginas
179
físico
Ritmo
46 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

Martín Santomé tem 49 anos e está prestes a se aposentar. Leva uma vida sossegada: viúvo, um trabalho burocrático no escritório, os filhos entrando na fase adulta. Ele registra essa contagem regressiva em um diário, que é a forma do livro. Seu diário pessoal revela uma existência aparentemente previsível, até que uma paixão inesperada o desperta. Esse livro é um clássico, possivelmente a obra mais conhecida do autor. Benedetti conduz a narrativa com habilidade, transformando o formato de diário em uma história cativante e cheia de suspense. A descrição detalhada de Montevidéu é uma personagem em si. Somos transportados para os cafés, restaurantes e praças da cidade. Fiquei tão curioso que explorei alguns dos locais no Google Maps, curioso para ver como estão hoje. Uma leitura imperdível, que explora temas universais como amor, perda e renovação.

Frase marcada

“Como é ruim nos dizerem a verdade, sobretudo quando se trata de uma dessas verdades que evitamos dizer a nós mesmos até nos solilóquios matinais”

p. 105 · uma de 28 frases marcadas neste livro
p. 1p. 179
Todas as frases marcadas
  1. Às vezes penso o que farei quando toda a minha vida for domingop. 24
  2. Quantos anos me restam de 'ainda'?p. 79
  3. A vida se vai, está indo agora mesmo, e eu não consigo suportar essa sensação de escape, de encerramento, de finalp. 148
  4. Imagino uma notinha bibliográfica sobre 'as notáveis qualidades deste autor estreante que beira os 50', e a mera possibilidade me causa repugnânciap. 8
  5. A morte é uma experiência aborrecida; para os outros, sobretudo para os outrosp. 10
  6. Talvez olhássemos demais os números, as somas, as sobras, e não tivéssemos tempo de nos olharp. 16
  7. Quem não é atraído pelo próprio passado?p. 23
  8. Pobre Avellaneda. Não sabe que eu sou a correção em pessoa e que nunca, jamais me aproveitaria de uma das minhas funcionáriasp. 27
  9. Francamente, não sei se creio em Deus. Às vezes, imagino que, no causo de existir Deus, esta dúvida não o desgostaria. Na realidade, os elementos que ele (ou Ele?) mesmo nos deu (raciocínio, sensibilidade, intuição) não são em absoluto suficientes para nos garantir nem sua existência nem sua não existência. Graças a um impulso do coração, posso acreditar em Deus e acertar, ou não acreditar em Deus e também acertarp. 34
  10. Quando ele ria, dava vontade de refletir sobre as imprevistas variantes da imbecilidade humanap. 35
  11. Perguntei: 'É bonita?' 'Um poema, chefe.'p. 39
  12. Essa naturalidade foi uma espécie de bálsamo, de verdadeiro consolo; eu a interpretei como a melhor homenagem que alguém podia fazer à minha mãe, assim como a mim mesmo em meu afeto pela minha mãep. 41
  13. A segurança de me saber capaz para algo melhor me deu o controle da postergação, que no fim das contas é uma arma terrível e suicidap. 44
  14. Uma das coisas mais agradáveis da vida: ver como o sol se filtra por entre as folhasp. 47
  15. A senhorita tem todas as condições para contribuir para minha felicidade, mas eu tenho muito poucas para contribuir para a suap. 72
  16. Ainda me restam, assim espero, uns quantos anos de amizade, de saúde passável, de afãs rotineiros, de expectativa entre a sorte, mas quantos me restam de prazer? Eu tinha 20 anos e era jovem; tinha 30 e era jovem; tinha 40 e era jovem. Agora tenho 50 anos e estou 'ainda jovem'. 'Ainda' significa: está acabandop. 80
  17. ...a experiência é boa quando vem de mãos dadas com o vigorp. 80
  18. Em geral, precisa-se de bastante coragem (um tipo muito especial de coragem) para manter-se em equilíbrio, mas não se pode evitar que aos outros isso pareça uma demonstração de covardiap. 83
  19. Nos escritórios não existem amigos; existem sujeitos que a gente vê todos os dias, que se enfurecem juntos ou separados, fazem piadas e se divertem com elas, que trocam suas queixas e se transmitem seus rancores, que reclamam da Diretoria em geral e adulam cada diretor em particularp. 102
  20. Como é ruim nos dizerem a verdade, sobretudo quando se trata de uma dessas verdades que evitamos dizer a nós mesmos até nos solilóquios matinaisp. 105
  21. Não me lembro de como era ela quando me parecia insignificante, inibida, nada além de simpática. Só me lembro de como é agora: uma deliciosa mulherzinha que me atrai, que me alegra absurdamente o coração, que me conquistap. 107
  22. A verdadeira divisão das classes sociais deveria ser feita levando em conta a hora em cada um salta da camap. 120
  23. E nós lemos, e, a partir dessa leitura, acreditamos, voltamos, discutimos, perdemos a memória, esquecemos generosa e cretinamente que eles hoje dizem o contrário de ontem, que hoje defendem ardorosamente aquele de quem ontem disseram coisas terríveis, e, o pior de tudo, que hoje esse mesmo aquele aceita, orgulho e ufano, essa defesap. 121
  24. Eu o amo porque você é feito de bom estofop. 134
  25. Fiquei em casa e li durante não sei quantas horas, mas só revistas. Não quero mais fazer isso. Deixa-me uma sensação horrível de tempo desperdiçado, algo assim como se a estupidez me anestesiasse o cérebrop. 139
  26. Cada um é de um só lugar na terra e ali deve pagar sua cota. Eu sou daqui. Aqui pago minha cotap. 147
  27. O mais trágico não é ser medíocre, mas inconsciente dessa mediocridade; o mais trágico é ser medíocre e saber que se é assim e não se conformar com esse destino que, por outro lado (isso é o pior), é de rigorosa justiçap. 160
  28. ...morreu é a palavra, morreu é o desmoronamento da vida, morreu vem de dentro, traz a verdadeira respiração da dor, morreu é o desespero, o nada frígido e total, o abismo puro e simples, o abismop. 165
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