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A redoma de vidro

Sylvia Plath · EUA · @editorabibliotecaazul

Período
7 nov – 20 nov
14 dias
Tempo de leitura
3h53
cerca de 17 min por dia
Páginas
274
físico
Ritmo
71 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

Esse foi emprestado por uma amiga. É o único romance escrito por Sylvia Plath (publicado sob o pseudônimo de Victoria Lucas), poeta talentosa que morreu aos 30 anos. É um daqueles casos em que é difícil separar o autor da obra. Tinha lido sobre Plath em Monsters, um ensaio justamente sobre esse tema. A redoma de vidro conta a história de uma jovem brilhante academicamente, que faz um estágio numa revista em NY e aspira virar escritora. Ela sai com alguns garotos, mas não se encanta por nenhum. Oscila entre uma amiga certinha e outra festeira. Ela não sabe exatamente o que quer da vida. Não quer fechar nenhuma porta. É quase estuprada por um cara. Após receber a negativa de um curso de escrita, vai entrando numa espiral depressiva. O livro é muito profundo nessa análise do sentido da vida. É impossível não relacionar com a história da autora, cuja trajetória tem aspectos muito parecidos e de fato cometeu suicídio - é desconfortável ler a análise que o livro faz das diversas formas de se cometer um suicídio. Essa circunstância conduziu a minha leitura. Sempre pensava que ela sabia muito bem do que estava falando, a descrição do desencanto, a falta de vontade para fazer as coisas, não conseguir ler. O livro tem um gostinho de Apanhador no campo de centeio, um grito de uma geração incomodada com a sociedade.

The trouble was, I hated the idea of serving men in any way. I wanted to dictate my own thrilling letters - chap. 7

“She wants to be everything,” Jay Cee tells them

Frase marcada

“Depois de dezenove anos lutando por boas notas, prêmios e bolsas, eu estava me deixando vencer, diminuindo o ritmo, caindo fora da corrida”

p. 36 · uma de 21 frases marcadas neste livro
p. 1p. 274
Todas as frases marcadas
  1. Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pésp. 88
  2. Se ser neurótico é querer ao mesmo tempo duas coisas mutuamente excludentes, então eu sou uma baita de uma neurótica. Vou ficar correndo de uma coisa mutuamente excludente pra outra pelo resto da minha vidap. 106
  3. Eu as via na cobertura, bocejando e pintando as unhas e tentando manter o bronzeado, e elas pareciam estar morrendo de tédio. Conversei com uma delas, que me disse que estava cansada dos iates, das viagens de avião, do esqui na Suíça durante o Natal e dos homens no Brasilp. 10
  4. A ideia de dançar com aquele tampinha de sapato de camurça laranja, camiseta mirrada e casaco esportivo azul me fez rir. Se tem alguma coisa que eu desprezo é homem vestido de azulp. 18
  5. Essa atitude certamente me ensinou coisas que eu jamais teria aprendido de outra maneira, e mesmo quando elas me surpreendiam ou enojavam, eu fingia que estava tudo bem, que eu sempre soube que as coisas eram assimp. 20
  6. Existe algo de desmoralizante em assistir a duas pessoas ficarem cada vez mais loucas uma pela outra, principalmente quando você é a única pessoa sobrando no lugarp. 24
  7. Deve haver um bocado de coisas que um banho quente não cura, mas não conheço muitas delasp. 27
  8. Depois de dezenove anos lutando por boas notas, prêmios e bolsas, eu estava me deixando vencer, diminuindo o ritmo, caindo fora da corridap. 36
  9. …por um momento considerei a ideia de virar uma botanista e estudar as gramíneas selvagens nas florestas tropicais da África ou da América do Sul. É muito mais fácil ganhar bolsas para estudar coisas esquisitas como essas do que para estudar arte na Itália ou inglês na Inglaterra; não existe muita competiçãop. 41
  10. Não aquela chuva boa, que parece que dá um banho na gente, mas o tipo que imagino que exista no Brasilp. 48
  11. Olhei ao meu redor, para aquelas fileiras repletas de cabecinhas extasiadas, todas com o mesmo brilho prateado na frente e a mesma sombra escura atrás, e elas pareciam nada mais nada menos que um bando de idiotasp. 50
  12. Nada melhor do que melhor do que vomitar com outra pessoa para ganhar intimidadep. 51
  13. Odeio dar dinheiro para as pessoas fazerem o que eu poderia estar fazendo com facilidade. Me deixa nervosap. 63
  14. O principal argumento do artigo era que o mundo dos homens e o das mulheres são diferentes, assim como suas emoções, e que só o casamento é capaz de unir apropriadamente os dois. Minha mãe dizia que aquilo era algo que as garotas só descobriam quando era tarde demais, e por isso precisavam seguir os conselhos de es-pecialistas, como as mulheres casadasp. 92
  15. Então cheguei à conclusão de que, se era tão difícil encontrar um homem inteligente e viril que se mantivesse puro até os vinte um anos, eu devia esquecer aquela história de pureza e casar com alguém que fosse impuro como eu. Desse jeito, quando ele começasse a arruinar a minha vida, eu poderia arruinar a vida dele tambémp. 93
  16. Como é que eu poderia escrever sobre a vida se nunca tivera um caso amoroso ou um fiho ou vira alguem morrer? Uma garota que eu conhecia havia acabado de ganhar um prêmio por um conto sobre suas aventuras entre os pigmeus na África. Como é que eu podia competir com esse tipo de coisa?p. 137
  17. Queria fazer as coisas de uma vez e me ver livre de tudop. 144
  18. Era como se o que eu quisesse matar não estivesse naquela pele ou no leve pulsar azul sob o meu dedão, mas em outro lugar mais profundo e secreto, bem mais ditícil de alcançarp. 163
  19. Não teria feito a menor diferença se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse — fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangcoc —, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciadop. 208
  20. Eu era dona de mim mesma. O próximo passo seria achar um homem decentep. 250
  21. a man is an arrow into the future and… a woman is the place the arrow shoots off from.
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