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Caminhando contra o vento

Igiaba Scego · Itália · @buzzeditora, editoranosbr

Período
28 jan – 18 fev
22 dias
Tempo de leitura
2h29
cerca de 7 min por dia
Páginas
125
físico
Ritmo
50 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

Também sofro de Caetanite. Quando vi esse livro numa feira por 10 reais, não precisei saber mais nada. Só depois eu descobri que Igiaba Scego é uma escritora italiana, de origem somali, e ficou apaixonada por Caetano quando trabalhou numa loja de CD. Ela faz aqui uma declaração de amor a Caetano. É uma biografia, mas também impressões sobre as músicas. Ela fala muito sinceramente que não sabia o que queria escrever, só queria expressar seu sentimento por Caetano. Talvez seja uma forma de retribuição. Não consegui ler o livro sem ficar jogando no Spotify as músicas. Algumas eu não conhecia, de outras não lembrava. Só pela história de Peter Gast e a interpretação de Silvina Garré já valeu. Mas tem muito mais: a relação dele com Maria Bethânia, a parceria com Gil, o exílio, o intérprete que torna suas as canções de outros e a coragem de ser autêntico.

Frase marcada

“Esse homem salvou a minha vida. Todas as vezes em que a vida me ignorava ou me maltratava, havia sempre uma canção sua pronta para me segurar.”

p. 16 · uma de 14 frases marcadas neste livro
p. 1p. 125
Todas as frases marcadas
  1. Caetano Veloso faz, em certa medida, o que muitos escritores tentaram fazer com os seus romances: reescrevê-los. E não apenas uma vez, mas de forma obsessiva e absoluta por quase toda a vida, visando enfocar o que não conseguia centrar na primeira versãop. 93
  2. Esse homem salvou a minha vida. Todas as vezes em que a vida me ignorava ou me maltratava, havia sempre uma canção sua pronta para me segurar.p. 16
  3. 'Reconvexo' celebra a contracultura e também confere dignidade a tudo o que é considerado diferentep. 22
  4. [Caetano e Gil] São apenas duas pessoas que compartilham o mesmo demôniop. 37
  5. A Bahia mistura tudo, esta é a sua prerrogativap. 39
  6. De uma hora para outra, um país pouco conhecido, no qual plantava-se e colhia-se o cacau para o chocolate suíço e o café para os espressos italianos, tornou-se música em estado purop. 48
  7. Caetano não se importava com o que as pessoas diziam sobre ele. Nunca pensou em se alinhar às ideologias que queriam lhe costurar a roupagem de intelectual engajado à moda antigap. 55
  8. Caetano estava contra o mundop. 57
  9. Não queria ser um garoto de bons costumes, atento ao bom gosto, ele queria subverter o bom gosto, demoli-lo até as fundaçõesp. 71
  10. O tríptico dos Beatles de Caetano Veloso é espetacular. Sem mudar uma vírgula do texto, torna suas aquelas canções. Não é fácil ser tão fiel a um texto e, ao mesmo tempo, subvertê-lo completamente. Mas ele faz isso, e bemp. 80
  11. 'Cajuína' é uma das canções mais hipnóticas e ritualísticas a respeito dos gestos simples da vida, aqueles que conseguem trazer um sentido à intraduzibilidade da alma humanap. 96
  12. Uma cantora argentina chamada Silvina Garré, durante um programa de tevê do qual Caetano era convidado, cantou 'Você é linda'. No final da interpretação, o compositor comoveu-se e chorou, e como se não fosse o bastante, dedicou à cantora seu livro Verdade Tropicalp. 98
  13. Ele é grande porque sabe ser nós, as nossas emoções, as nossas desilusões. Nos conhece. É o nosso melhor amigop. 108
  14. Quando vamos a um show de Caetano, queremos que nunca acabe. Mas depois vem outro show, um CD que podemos ouvir ao voltarmos para casa de carro, as inúmeras entrevistas para ler. Caetano Veloso está sempre conosco. Porque como um amigo, o nosso melhor amigo, ele nos conhece e consolap. 110
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