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Marcelo Rubens Paiva · Brasil · @editora_alfaguara

Período
11 set – 22 set
12 dias
Tempo de leitura
5h18
cerca de 27 min por dia
Páginas
295
físico
Ritmo
56 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
5 de 5

Ganhei esse livro no Natal de 2015. Lembro que eu pensei que precisava ler antes Feliz Ano Velho, a obra-prima de Marcelo Rubens Paiva. Como esse lançamento iria furar a fila? Foi para estante. Saiu de lá com a notícia do lançamento do filme do Walter Salles. A leitura não teria tido o mesmo impacto em mim em 2015. Como diz o livro, somos diferentes a cada instante. Passados quase dez anos então...Esse livro é de memórias e sobre a memória. Sobre como elas nos constituem, como elas mudam conforme as nossas circunstâncias e como a sua perda nos tira a identidade. Estou às voltas com o tema do envelhecimento; cada leitura vai trazendo mais alguma coisa para a reflexão. A minha experiência próxima com o Alzheimer também muda a narrativa do impacto da doença na vida de Eunice Paiva. Sem essa minha experiência pessoal, não teria sido tão impactante. É uma homenagem de Marcelo Rubens Paiva à sua mãe, mas um resgate também das suas memórias como menino (adorei a parte das férias na fazenda) e da inescapável tragédia familiar causada pela ditadura. A história de Eunice não existe sem a história de Rubens. Mas ela se reinventou, viveu uma outra vida. Fez tanta coisa e foi importante para tanta gente. Foi, como escreveu e disse o filho, quem verdadeiramente combateu o regime. Uma pessoa admirável.

Frase marcada

“O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e a localização são as condições necessárias das lembranças. Ou da memória”

p. 17 · uma de 20 frases marcadas neste livro
p. 1p. 295
Todas as frases marcadas
  1. Foi naquele momento que descobri: ali estava a verdadeira heroína da família; sobre ela que nós, escritores, deveríamos escreverp. 38
  2. - A inteligência tem a capacidade de surpreende e se readaptar a todas as situaçõesp. 234
  3. A coisa que eu mais admiro nela e tento levar como um exemplo para a minha vida: ela nunca sentiu pena de sip. 261
  4. O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e a localização são as condições necessárias das lembranças. Ou da memóriap. 17
  5. A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vidap. 18
  6. A memória não é a capacidade de organizar e classificar recordações em arquivos. Não existem arquivos. A acumulação do passado sobre o passado prossegue até o nosso fim, memória sobre memória, através de memórias que se misturam, deturpadas, bloqueadas, recorrentes ou escondidas, ou reprimidas, ou blindadas por um instinto de sobrevivênciap. 26
  7. Eu virava mãe da minha mãep. 29
  8. Quem tem Alzheimer em estado avançado está lá, mas não está, é a pessoa, mas não ép. 48
  9. O sentido de tudo se modificoup. 55
  10. A maioria não tinha ideia do que se passava. A censura e o milagre brasileiro cegavamp. 71
  11. A praticidade era sua loucurap. 74
  12. Meu pai perdeu o timing. Onipotência e teimosia que minha mãe nunca perdoou. Queria lutar quixotescamente numa guerra já perdida. Arriscou a famíliap. 107
  13. Memória lembra dunas de areia, grãos que se movem, transferem-se de uma parte a outra, ganham formas diferentes, levados pelo vento. Um fato hoje pode ser relido de outra forma amanhã. Memória é vivap. 117
  14. Em casa, no quarto, trancada no escuro, chorava todas as noites, chorava sozinha, sem que nos déssemos contap. 180
  15. Nunca se deixou cair no pieguismo, não perdeu o controle diante das câmaras, nem vestiu uma camiseta com o rosto do marido desaparecido. Não culpou esse ou aquele, mas o todo. Não temeu pela vida. Lutou com palavrasp. 193
  16. Sua vingança era a cabeça erguidap. 200
  17. (...) e a que meu pai, se por um milagre reaparecesse, teria que se readaptar, uma mulher nova e independente, que não serviria uisquinho para ele, porque estaria numa reunião da ONUp. 210
  18. Meus amigos malucos a adoravam. Ela os tratava bem. Ela tinha assuntop. 212
  19. Somos diferentes em cada instante em que vivemos. Temos um cérebro diferente a cada segundo. E quando lembramos de algo, as conexões mudam fisicamente a memória de lugarp. 229
  20. O passado é conservado por ele mesmo. Nos segue por toda a vida. Nosso cérebro foi feito para guardar o passado e trazê-lo à tona quando precisamos, para esclarecer uma situação do presentep. 249
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