Livaral Livros no varal,
ideias no ar.
Leituras vizinhas
24º2024 25º2024 26º2024 27º2024 28º2024 29º2024 30º2024
27/2024

A África explicada aos meus filhos

Alberto da Costa e Silva · Brasil · @novafronteira

Período
5 set – 16 out
42 dias
Tempo de leitura
3h03
cerca de 4 min por dia
Páginas
159
físico
Ritmo
52 p/h
páginas por hora
Nota
★★★★★
4 de 5

A capa e o título enganam. Este livro não é uma matéria da National Geographic. Também não acho que é dirigido ao público infanto-juvenil. Comprei para ler com as minhas filhas, mas a leitura veio antes de uma viagem para a África do Sul. O autor foi embaixador em países africanos e era um profundo conhecedor do continente. Ele organizou o livro em formato de perguntas e respostas, chamou cada capítulo de "conversas", mas o conteúdo é uma explicação geral sobre os povos africanos, seus costumes, a colonização e os efeitos disso na cultura, inclusive do Brasil. O continente não é uma coisa só; nem os países. São centenas de povos com tradições próprias, ainda que com traços em comum. Terminei com duas histórias para pesquisar mais: a do líder Samori Turé, que enfrentou os franceses, e a dos agudás, descendentes de escravos libertos no Brasil que regressaram a Benim, Togo e Nigéria no séc. XIX, levando muitos costumes brasileiros.

Frase marcada

“Havia aqueles, sobretudo crianças, que eram sequestrados quando tomavam banho de rio ou brincavam fora das cercas que protegiam as aldeias”

p. 88 · uma de 20 frases marcadas neste livro
p. 1p. 159
Todas as frases marcadas
  1. A velhice é venerada. Os que têm cabelos brancos possuem a sabedoria da experiência e estão mais próximo dos deuses. Entre os iorubás, por exemplo, um jovem não fala a um velho sem se ajoelhar, agachar ou curvar-se, sempre com a cabeça mais baixa do que a dele. Em alguns povos, pode até ter de deitar-se, de bruços, no chãop. 62
  2. Os africanos não escravizavam africanos, nem se reconheciam então como africanos. Eles se viam como membros de uma aldeia, de um conjunto de aldeias, de um reino e de um grupo que falava a mesma língua, tinha os mesmos costumes e adorava os mesmos deusesp. 88
  3. Importante é saber que esses africanos pertenciam a numerosas nações diferentes, cada qual com a sua cultura própriap. 154
  4. Há, contudo, certos traços comuns a todas elas, de modo que se pode falar de uma cultura africana como nos referimos a uma cultura europeia, ainda que sejam tão distintos os modos de vida em Portugal e na Finlândiap. 17
  5. O mar Mediterrâneo foi, desde o início da História que conhecemos, uma região de intenso comércio, de intensas trocas de bens, experiências, invenções e ideiasp. 31
  6. A ambição da riqueza faria com que alguns habitantes do litoral ameno se arriscassem a entrar nesse difícil sertãop. 39
  7. Nesses portos entravam e saíam todas as semanas vários barcos, alguns muito grandes, em mãos de marinheiros hábeis, que conheciam a bússola, quadrantes e cartas de marcar. Para os portugueses tudo era motivo de surpresa e pasmop. 40
  8. ...os europeus só conseguiram, militarmente, uma superioridade nítida sobre os africanos com o rifle de ferrolho e o rifle de repetição - e se fizeram imbatíveis com a metralhadorap. 42
  9. Pode-se dizer que o mosquito, responsável pela transmissão da malária e da febre amarela, foi o grande aliado do africano contra as ambições de conquista europeiasp. 43
  10. Só em casos extremos alguém negará a um parente a ajuda e a solidariedade. Na África não se separa a pessoa de seu grupop. 55
  11. Máscaras ou imagens de corpo inteiro são representações ou receptáculos dos antepassados, dos espíritos da natureza e de outros poderes que regem a vida. Pertencem ao universo do sagradop. 73
  12. Na maior parte da África, não há, aliás, momento algum de importância na vida humana que não seja acompanhado de música e de dançap. 79
  13. Havia aqueles, sobretudo crianças, que eram sequestrados quando tomavam banho de rio ou brincavam fora das cercas que protegiam as aldeiasp. 88
  14. ...a África mostrava-se muito mais complexa do que pensavam os europeus e exigia, para se tornar o El Dorado que tinham imaginado, um volume de investimentos, que nem sempre estavam dispostos a fazer, em portos, ferrovias, estradas de rodagem e linhas telegráficas, além de hospitais e escolasp. 107
  15. Convencer o africano de sua inferioridade fazia parte do processo de dominação. Se o negro não podia mudar a cor da pele, tinha de se comportar como se fosse brancop. 120
  16. ...os escritores africanos de maior relevo se expressavam e se expressam no idioma do antigo colonizadorp. 136
  17. A segregação racial tornara-se um empecilho ao crescimento econômicop. 145
  18. Graças principalmente à atuação de Mandela, os humilhados e ofendidos durante tanto tempo mostraram-se generosos e conciliadoresp. 146
  19. Na criação de gado, continuaram no Brasil a prática, de que eram mestres na África, de criá-lo em enormes espaços abertos, a levá-los de um lado para outro incessantemente, sempre em busca de novos pastos. Foram os vaqueiros negros e mestiços, a conduzir os rebanhos, dos primeiros a entrarem pelo Brasil adentro e iniciaram a saga de povoá-lo, enquanto se expandiam os seus limitesp. 155
  20. A África está presente nos ditos, histórias e canções que repetimos ao longo da vida, nos brinquedos infantis tradicionais, nos bichos-papões que povoavam os medos de nossa meninice, as festas e danças populares, na maneira como nos cumprimentamos, no jeito de estar em casa e na rua - em suma, em quase tudop. 156
Lido junto com
Parecidos no Livaral
Ver o post no @li.varal